Thinking, Fast and Slow

Comecei a ler Thinking, Fast and Slow, de Daniel Kahneman, sobre como o nosso cérebro muitas vezes reage sem pensar e como muitas vezes somos influenciados sem perceber. É um livro bom, com dados interessantes e ás vezes engraçados (me pegou num teste, danado, mas depois fiquei esperta), mas confesso que estou começando a me cansar da repetição. A moral da história é: pense antes de reagir/responder, assim suas chances de errar serão minimizadas. Legal. Será que preciso ler o livro até o final depois que entendi o objetivo? Life is too short to waste on not so great books. Right? 😉

Passando pela sala vejo minha mãe assistindo Avenida Brasil. Sentei para assistir um pouco, mas não durou muito… Adriana Esteves, excelente como manipuladora heim, ótima no papel, mas a estorinha é muito mequetrefe, afe. Desculpe-me quem gosta, mas trama de *&%$! Ugh. Essa menina Nina não sabe usar tecnologia não, poderia ter guardado as fotos numa conta de email, né? Muito fora da realidade. Sei que a gente tem que “suspender a crença” quando assiste novela (ou joga video game, ou lê sci-fi, ou assiste filmes tipo Iron Man, etc), mas tem coisa que nem com muita reza brava dá para engolir. Eu heim.

Estava lendo sobre a decisão da França de proibir as manifestações contra “o filme”. Um lado meu acha corretíssimo o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault declarar que as manifestações contra o filme estão proibidas: “Não há nenhuma razão para permitir que chegue a nosso país conflitos que não dizem respeito à França“. Essas manisfestações estão gerando muita violência e sinceramente esse pessoal tem que aprender a lidar com a opinião desfavorável (é apenas uma opinião) dos outros sem sair com cartazes que pedem que todos que ofendem o profeta sejam decolados (é uma ameaça). Mas tem o outro lado meu que acredita que liberdade de expressão é SUPREMA e não deve ser proibida de maneira nenhuma, mesmo quando é exercida por uma parcela de pessoas que são radicais ao extremo e querem justamente coibir a liberdade de expressão dos outros. Percebeu onde o bicho pega? O certo é discordar da decisão francesa e apoiar o “ato” da manifestação, pois como disse Voltaire “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las” é um dos preceitos que tento seguir na minha vida.

Mas neste caso esta difícil pensar de maneira justa e estou a me contentar em aceitar que errada estou, mas pelo menos reconheço onde esta o meu erro.

Pensar dá trabalho…

Recentemente comecei a ler The Rape of Nanking, de Iris Chang, sobre o massacre de Nanquim (ou comulmente chamado de Estupro de Nanquim). O livro fala sobre o -suposto?- massacre cometido pelo exército imperial japones quando entraram na então capital da República da China, Nanking, que resultou, de acordo com o livro e alguns pesquisadores, na morte de cerca de 300.000 civis. Porém existem pessoas que acreditam que o número esteja entre 100.000 e 200.000, incluindo combatentes. Mas o número de mortes não é o único tópico de disacordo: a duração da invação assim como os atos cruéis praticados também dividem muitos. Muitos japoneses e alguns historiadores chegam a afirmar que o massacre nunca aconteceu.

Eu ainda não terminei de ler o livro e confesso que não sei se vou terminar, pois Iris Chang se deixou levar emocionalmente pelo tópico, que tingiu fortemente seu texto. Isso não é uma recriminaçao, já que ela é filha de chineses e este caso lhe tocou pessoalmente, mas a maneira tendenciosa como escreveu o livro acaba prejudicando quem, como eu, gostaria de saber o que realmente aconteceu. Eu acredito que independente dos números, se 300.000 ou 100.000, na minha opinião um número maior não dá mais credibilidade nem mais importância, violência é violência, seja praticada contra um único indivídio ou contra 300.000, logo se a ocupação foi realmente tão selvagem como ela e tantos outros descrevem, o Japão deveria ter colocado isso em pratos limpos ao invés de negar que aconteceu.

Quando se trata de não-ficção, eu gosto de ver ambos os lados da história para poder, baseada em fatos, tirar minhas próprias conclusões, mas neste caso estou pendendo a acreditar que o massacre aconteceu sim, mesmo que o número não seja de 300.000. É sabido que em tempos de guerra o estupro, a degradação e assassinatos em massa são armas usadas para desmolarizar o inimigo, e o exército japones vindo da dura e sangrenta batalha de Xangai talvez desejasse vingança. E não há como esquecer o escandalo das “Mulheres de Conforto”, que muitas vezes eram raptadas para fazer parte de bordéis que serviam ao exercíto japonês, o que indica no mínimo uma prática bem troglodita.

Passei algumas horas semana passada lendo sobre o assunto, mas não achei nada que pudesse ser definitivo, beyond a reasonable doubt. Mas eu não sou expert e não manjo nada do assunto, logo minha opinião não tem peso nenhum, só vale para eu mesma. Enfim, de qualquer ângulo que eu olhe este capítulo da história, é muito triste. Algumas infos sobre o massacre aqui, sobre o revisionismo aqui, e aqui sobre as mulheres de conforto.

História

Estou lendo a deprimente (e provavelmente super maquiada) biografia do cara que era o fidai (dublê) de Uday Hussein, Latif Yahia. Apesar da surperficialidade com que certos tópicos são retratados, é impressionante ler as barbaridades cometidas por gente que não tem respeito algum pelo seu semelhante. Latif não se comprometeu até agora de maneira direta, apenas descreve o universo absurdo que habita como dublê de Uday, um sujeito completamente doido e que não aprendeu o significado da palavra “consequência”.

Sei que o Iraque esta em pedaços depois destes anos todos de conflito, que sob alguns aspectos as coisas pioraram desde que US invadiu o país; marchei contra a invasão em 2003 pois as “armas de destruição em massa” era total balela, mas hoje sei que foi graças a esta guerra que o clã Hussein e seus comparsas caíram e mesmo não conseguindo desculpar a ocupação do Iraque, é bom saber que gente tão podre não esta mais viva para praticar suas atrocidades. O triste é que puderam, durante tantos anos, viver impunimente praticando crimes hediondos.

Lembro vivamente de quando as tropas da coalização iniciaram o ataque aéreo contra o Iraque em defesa ao (então invadido) Kuwait, o Jornal Nacional mostrando o video, tudo negro e as explosões em verde (visão noturna) e eu estava me arrumando para ir encontrar com a M., iamos numa balada. Fiquei sacudida com o que aquelas imagens representavam e com a idéia que de a meio globo de distância pessoas estavam sofrendo e morrendo naquele exato minuto. Não fazia a mínima idéia do porque da guerra do golfo (era uma alienada), mas a sensação ruim ficou, tanto que me lembro desta noite tão bem.

É estranho associar certos momentos da vida da gente com fatos históricos importantes.

O livro é ok, provavelmente existem fontes mais seguras contando o que realmente aconteceu na era Sadam.

 

Impressionante

Enquanto o papa visita a Espanha, a polícia sai descendo o cacete em quem bem entende. Inacreditável. Assista o vídeo a partir do 1:00 minuto.

update: aparentemente toda essa violência aconteceu porque as pessoas estavam protestando contra a visita do papa, que foi paga pelo governo espanhol (ou melhor, pelos espanhóis que pagam impostos). Em certo momento a polícia decidiu descer o cacete na galera que até então protestava pacificamente. Mais info aqui e aqui e outro video aqui.