Estou doente. Dor de garganta, nariz “entubido” e aquela sensação de mal estar. Saco!
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Preciso de férias. Quero ir ao Brasil, ver meus amigos, meu papagaio que não mais me reconhece, minha mãezinha, minha casa, minhas coisas, comer comida boa e fresquinha, ouvir as pessoas falando português, ver TV, reclamar da programação, fazer unha na minha manicure nota dez, visitar meu dentista, meus médicos, pegar metrô, ir nos sebos do Centrão, tomar uma Malzibier num barzinho de bairro, viajar para o interior, para o Rio, para a Bahia, para o Sul, jogar conversa fora e viver, mesmo que por algumas poucas semanas, como se este país não existisse.
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Quando me deparo com as atrocidades, escândalos e injustiças nos notíciarios americanos, sinto uma raiva fenomenal pelo povo daqui. Minha vontade é sair na rua e gritar com as pessoas, sacudí-las, acordá-las e mostrar o jornal, perguntar se não estão vendo o que esta acontecendo. Eu não entendo, não concordo e não tenho como justificar essa sensação bizarra que sinto. Me controlo, respiro fundo, conto até 20 e continuo meu dia. O mais estranho é que eu nunca senti isso no Brasil. Nunca tive vontade de sacudir as pessoas como se tivesse que despertá-las para o que esta se passando. Não sei se a natureza dos brasileiros, naturalmente crítica, aliada a baixa-estima (ou como diria Nelson Rodrigues, somos o Narciso ás avessas, cuspindo no nosso reflexo) que não deixa escapar NADA, estamos sempre a reclamar do governo, do prefeito, do time de futebol, das barbaridades da vida cotidiana, enfim, conscientes do que nos cerca. Se nada muda, se não passa de falatório sem fim, isso ai já são outros 500, mas o fato é que estamos acordados.
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É, preciso mesmo de umas féria.
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