Rotina…

Hoje acordei maus. Foi uma dificuldade sair da cama, lavar o rosto e muito mal humorada, escovei os dentes sem me olhar no espelho. Meu coração esta cheio de tristeza e desânimo e se eu pudesse, voltava a me meter debaixo das cobertas e ia dormir, desligar do mundo por umas boas horas.

O motivo não sei bem, mas tenho lá minhas suspeitas… Ontem estava bem, animada, fiz todas as coisas que tinha que fazer e mais um pouco. Mas hoje, sem mais nem menos, acordo assim, agoniada, azeda, cansada. Aposto que é a rotina, “todo dia fazendo tudo sempre igual”, tirando e colocando os momentos de diversão e lazer, que no fundo, no fundo, também não deixam de ser rotineiro: cinema, jantar, drinks com os amigos, visita ao museu, jogos, passeio na praia, comprinhas; lava-enxagua-seca-repete-o-ciclo. Parece que se eu olhar para o futuro ele será uma repetição cansativa do que foi e esta sendo hoje. E claro, diante desta constatação, deprimo.

Ai vem aquela vontade de largar esta mesmice, de fugir para um local onde eu não conheça nada nem ninguém, nem mesmo a língua, onde seria necessário começar do zero, aprender, se surpreender todos os dias com coisas, pessoas, situações novas e diferentes, onde cada dia seria único e não a cópia xerocada do dia anterior…

Parece a solução, mas e quando essa mesmissíma sensação que sinto hoje se instalasse, porque essa é uma história que se repete de tempos em tempos, não vou fingir que não. Fugir de novo, só para poder sentir-se viva? Quem me conhece sabe que já fiz isso algumas vezes e confesso, estou cansada das consequências destas mudanças, de não me sentir “em casa” em canto algum, de ter deixado amigos/relacionamentos importantes para trás, de não ter raízes firmes e fortes, da solidão…

Qual a solução então? Por hoje acho que calar-se e rezar para que o dia passe rapidamente e que amanhã, outro dia, chegue sem essa tristeza toda.

Claro que tinha que incluir aqui:

Carnaval

Ano passado eu estava no Brasil passando o carnaval numa cidadezinha do interior de São Paulo, vendo amigos e assistindo os desfiles das escolas pela TV. Depois de quase 5 anos sem ir ao Brasil, aquela visita foi como se apaixonar novamente. O Brasil é lindo demais. Lembro de emoção vendo os desfiles, imaginando a energia de estar ali, naquela massa humana que pulsa sincronizadamente, vendo a beleza e a riqueza estampada no rosto das pessoas. Riqueza de alegria e de esperança, já viu povo mais esperançoso do que brasileiro? Leva porrete, sofre, se desilude, mas chega carnaval, mete a fantasia e vai sambar. Pelo menos nesses poucos dias de fevereiro decide brilhar, dançar, se esbaldar. Imagina se um gringo faria isso? Não consegue não.

Uns dizem que é por isso que o Brasil não vai pra frente, porque o povo só quer festa. Ora gente, que erro. Veja esse país de 1º mundo, EUA, uma vergonha de corrupção, pobreza e desemprego. Gente que perdeu tudo pela ganância daqueles que só querem $$$. E eles tem carnaval? Tem não. O mais próximo de festa é o dia 4 de julho, dia da independência, onde o pessoal se reune para fazer BBQ (churrasco) no quintal. De hamburguer e linguiça, diga-se de passagem.

Outros descem a línga dizendo que carnaval é falta de vergonha na cara, gente que passa fome para poder comprar uma fantasia e sair na escola do coração. Olhe, cada um sabe o que lhe é importante. Sabe-se lá se eu não tivesse grana nenhuma, morasse no morro e um empreguinho lascado, ia sim querer sair lindona numa escola, toda diva. Maravilhosa! Imaginem? E qual o problema?

Esta na hora, passou até, da gente amar tudo que é nosso. Não deixar de ver os erros, os nossos inclusive, que afligem nosso país e sempre batalhar por algo melhor, mas também ver nossos acertos, nossas maravilhas, nossas belezas, nossas riquezas. E adotar o lema de “vive e deixe viver”. Não gosta, ótimo, mas não azede os outros meu bom. Curta o feriadão em paz, em retiro e deixe os foliões se rasgando na avenida. O primeiro passo no caminho para um país melhor é aceitar a diversificação. E se aceitar.

Bom carnaval para todos! Viva Brasil! Viva!

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update: fotos lindas do carnaval: Claudio Lara no Flickr e mais fotos do carnaval pelo mundo.

New York, New York

Batendo um papinho com minha amiga Y. que vive em NYC, ela me falando do frio, das nevascas, dos dias curtos e eu lembrando de toda aporrinhação que passei anos a fio (frio?) em NYC, olhei para o widget do tempo, vi que faria sol em LA durante toda semana e dei graças.

Já não é novidade que eu reclamo do tempo não importa onde eu viva (boring!) e apesar de me sentir melhor com o clima daqui, fiquei com uma bruta saudades do frio terrível de NYC. Das camadas de roupas que fazem a gente parecer o bonequinho do Michelin, da neve que consegue entrar naquele vãozinho do cachecol, gelando a nuca e principalmente daquela sensação de aconchego e proteção de estar dentro de casa tomando um chá quente e olhando a neve cobrir o quintal, o esqueleto das árvores, os bancos, os cantos da janela. Uma coisa assim meio poética, tudo branquinho e o silêncio… quando neva NYC se cala.

Bom seria ter tudo isso em doses homeopáticas, porque depois de algumas semanas acaba deprimindo.

Nesta de nostalgia de NYC, eis um site com fotos lindas da cidade: Hello New York. Lindo.

Triste

Ai. Depois da visita da minha mãezinha e da minha amiga Y., ambas foram embora no início da semana me deixando totalmente só. Estou triste. É tão gostoso ter gente amada por perto, para bater um papão, dar altas risadas, falar bobagem, fofocar um pouco e ás vezes até argumentar sobre pontos de vistas diferentes, mas sempre sabendo que não importa qual posição tomamos, continuamos amigos e respeitando-se mutuamente. Não que eu não tenho amigos aqui com quem não tenho a mesma relação, mas confesso que são os amigos mais antigos, aqueles que sabem dos nossos momentos mais perrengues e principalmente minha mãe que me dão mais conforto, mais amor e aquela sensação de que não importa o que eu faça, mesma que eu cometas erros gravíssimos, eles vão me amar da mesma maneira. Piegas né, nos dias de hoje principalmente, mas eu sou piegas mesmo.

Hoje em dia tenho um relacionamento 10 com minha mãe. Depois de passar minha adolescência e jovem vida adulta em batalha, ambas largamos as armas e achamos um caminho feliz de viver. Posso dizer que os maus bocados e as dificuldades que passamos nos aproximaram, vimos que podiamos contar uma com a outra para qualquer coisa. Da minha parte foi mais fácil porque quando se é jovem sabe-se ser maleável. Para ela foi mais difícil, porque em muitos momentos eu cobrava uma mudança de atitude, uma mudança de como viver a vida e encarar as situações, algo menos fácil de se fazer quando se é mais velho e habituado a viver de certa maneira. Mas ela conseguiu, ao poucos se adjustou as mudanças e hoje me surpreende com algumas opiniões e atitudes.

Sei que não é hoje, mas feliz dia das mães. Elas são tudo de bom na vida da gente e sem ela não seríamos nada. 😀

Beijo mãinha.