The Walking Dead – 7ª Temporada

Depois de uma longa pausa, finalmente estou em dia com The Walking Dead. E o que dizer desta última temporada? Bom, primeiro que não perdi nada neste longo break, pois o plot continua igual: tudo esta bem, daí algo ruim acontece, todos perdem a esperança, uns morrem, outros sobrevivem, a esperança volta e os caras ruins são derrotados. Rinse & repeat. Que fique claro, isso não é uma crítica ao TWD, porque eu assistia sim pelos personagens e para ver como eles lidam com as situações diversas que aparecem no caminho e esse plot vem com o território.

Apesar de não curtir o que fizeram no final da temporada 6, coloquei isso de lado e cheguei a achar que o aparecimento de Negan seria bom, uma quebrada na rotina do grupo com um adversário a altura, mas ai, como eu estava enganada…

O ator que esta fazendo o papel de Negan é ótimo e eu consigo imaginar como seria melhor ainda se ele tivesse material a altura da sua capacidade de interpretação, mas o personagem em si é horrível. E não porque ele é o vilão: os vilões são mais interessantes do que os heróis, e quando bem escritos conseguem até levar a gente para o lado deles.

The Walking Dead - 7ª Temporada

Negan é terrível de uma maneira não real, cartoony. Primeiro que o cara deve morrer de dor nas costas de tanto se inclinar para trás e. falar. tudo. com. uma. pausa. para. dar. mais. efeito. LOL. É um tanto irritante se você esta assistindo com o som original. Segundo o cara vive falando que “olha, não somos caras maus quando você nos conhece melhor“, mas ainda não vi nada que provasse o contrário, e reza a lenda tanto na literatura quanto na TV que “mostrar, não falar” vale mais do que um personagem ficar repetindo que ele é assim ou assado infinitamente. Terceiro, o cara é um papudo, um chato. Quem tolera ele fazendo aqueles discursos super longos? Negan é bom quando faz piadas curtas. Passou disso, dá vontade de colocar no mute. E ainda me fez rir quando ele disse que não tolera estupradores, mas não tem problema nenhum em colocar uma situação entre a vida e a morte de uma pessoa querida onde a mulher obviamente vai escolher virar “esposa” para salvar o parente/marido. É aquele tipo de acordo em que só um lado tem a ganhar, basicamente, fazendo dele um hipócrita.

Na minha opinião vilão bom é aquele que não é um monstro, mas sim humano como todos nós. Apesar de existir pessoas terríveis no mundo, ninguém é só ruim ou só bom. Nós humanos vivemos entre esses dois pólos. Até mesmo serial killers mostram outro lado da sua personalidade, uns são extremamente simpáticos e charmosos e conseguem enganar todos ao seu redor, outros são pais de família, etc. Negan seria mais interessante se ele mostrasse outras facetas ao invés de ser apenas a rasa fantasia adolescente de como um homem alpha maldoso deve ser e agir.

E na boa, quem em sã consciência teria coragem de se juntar a um sujeito assim? Estar no mesmo grupo deste cara seria como andar ao lado de uma bomba relógio.

The Walking Dead - 7ª Temporada

Deixando Negan de lado, que esta bem protegido pela sua armadura de script e com certeza não vai morrer de morte bem morrida tão cedo, ver personagens queridos fazendo bobagem repetidamente é outro grande balde de água fria. Quantas vezes já vimos pessoas deste grupo tomando decisões que colocam em risco todo mundo? Pois é… já perdi as contas. Rick e Carol parecem ser os únicos que pensam um pouco nas consequências das ações que tomam, e mesmo eles fazem coisas que me deixam de boca aberta. Uns dizem que é compreensível que personagens em situações de risco façam bobabem, mas isso é pura preguiça de escritor que decide pegar o caminho mais fácil para criar drama. Esses personagens passaram por tanta coisa que é intolerável ve-los tomando atitudes imbecis.

Isso dos personagens fazerem coisas que nenhum ser humano com 2 neuronios fariam é um dos motivos que me levou a parar de assistir TWD. O outro motivo são os truques baratos destes mesmos escritores que parecem estar zombando da cara da gente.

A ver que a 7ª temporada teve uma audiência muito baixa se comparada as outras eu vejo que não sou a única a esta cansada dos truques baratos de escritores sacanas, crueldade excessiva e script repleto de enchimento. E bota episódio de enchimento nisso…

É ruim ver uma série que eu simplesmente adorava decair deste jeito, e TWD sempre foi um tipo de fuga: pensar no que eu faria se estivesse naquele grupo, como eu agiria e tal. Espero que a 8ª temporada seja melhor e consigo recuperar um pouco da sua glória, mas mesmo assim não vou apostar que isso vá acontecer já que existem milhares de pessoas que estão contentes e até gostam da série estar se tornado gore porn.

A Man in Love, Karl Ove Knausgård

Terminei o 2º volume de Min kamp, A Man in Love, de Karl Ove Knausgård. O 1º volume me acertou em cheio, eu adorei, mas este foi mais complicado para mim…

Neste, como o título já deixa claro, ele retrata sua vida a partir do momento em que deixa a sua primeira esposa, a sua necessidade de “fugir”, a mudança e adaptação em Estocolmo e a paixão por sua esposa atual, Linda.

A Man in Love, Karl Ove Knausgård

Neste volume ele entra em detalhes da vida do casal: como se sente ao virar pai e as dificuldades de criar filhos, o desejo intenso de escrever, a amizades com outros escritores, em particular seu amigo Geir, etc.

Igual ao 1º volume, ele fala do íntimo de uma maneira quase universal e eu acho isso sensacional. Eu duvido muito que uma pessoa ao ler este livro, ou algum desta série, não tenha passado por situações ou sentimentos similares. Isso que ele sabe fazer tão bem, as questões, as angustias, os desejos que nos parecem tão únicos, tão pessoais “ninguém entendo porque não passaram por isso” são na realidade banais, outras milhares de pessoas já sentiram ou passaram por algo similar. A única coisa que faz a sua situação especial é que ela é sua.

A narrativa de Karl Ove é cativante como no 1º volume, parece que estou conversando com um amigo, o ouvindo relatar seu dia, suas angustias, sua vida. O problema é que eu tolero muito pouco os problemas relacionados a amor, casamento, viva conjugal. Eu já passei por isso, já tive minha cota de relacionamentos e ouvir sobre o dos outros é bem broxante. Não leio romance por esse motivo.

Não sou o tipo de pessoa que quer saber quem esta namorando quem, como esta o relacionamento de fulano ou sicrano ou se alguém esta traindo, isso não me importa, então um bom pedaço deste livro foi um tanto quanto aborrecido para o meu gosto. Não ajuda nada que o relacionamento deles me pareça um pouco disfuncional.

Tirando meu desgosto por esse pedaços, o resto do livro em que ele trata da vida, da mudança, da adaptação a nova cidade, os relacionamentos interpessoais e até mesmo da criação das crianças, é muito bom, tocante.

Super recomendo a leitura, principalmente se você leu o 1º volume. Eu vou continuar com os outros volumes, mas não agora. Este é o tipo de livro que faz a gente pensar, então vou dar um espaço de tempo até pegar o 3º volume.

O Círculo (The Circle – 2017)

Semana passada assisti O Círculo, com Emma Watson, Tom Hanks, Patton Oswalt, John Boyega, Bill Paxton (RIP) e Karen Gillan. A trama gira em torno de Mae (Emma Watson) que vai trabalhar na gigante firme tecnológica Circle e aos poucos vamos descobrindo junto com ela qual é a real agenda que a empresa quer empurrar para todos.

O Círculo (The Circle - 2017)

Eu achei o filme razoável. Não é sensacional na categoria thriller, porque em nenhum momento eu fiquei na beira do assento, mas como drama ele se encaixa bem. A trama é okay, e na minha opinião poderia ter sido mais bem aproveitado, mas o problema que eu senti é que o filme saiu flat, sem alma, os personagens tem pouca profundidade e eu me vi ligando muito pouco para o que ia acontecer. Igualzinho quando entro no Instagram ou Facebook… Há-há!

É claro que o filme faz um comentário social sobre as mídias sociais e como elas podem ser usadas até o extremo, e mesmo que uma idéia seja boa “no papel” não quer dizer que nós sapiens estamos aptos a fazer o melhor uso de tal tecnologia. O mais bizarro é ver, mesmo na ficção, o quanto as pessoas estão dispostas a dividir online. Sim, eu percebo que estou dividindo minha opinião num blog na internet, mas vamos lá, até os dados médicos? Imagine toda sua vida, em detalhes, caindo nas mãos erradas? Muito assustador e creepy

Talvez o filme tenha mesmo esse “acabamento” sem alma e raso propositalmente, pois é assim como as mídias sociais de hoje em dia, e neste aspecto o diretor com certeza atingiu seu objetivo, porém com um pouco de exagero já que acaba por afastar o telespectador. Ou pelo menos eu.

Enfim, o filme não é péssimo, mas mesmo assim não recomendo caso tenha outra opção, mas se não tiver, não vai ser a pior experiência da sua vida.

American Gods (2017- )

Apesar de não estar acompanhando séries e filmes tanto quanto antes, pelo menos assisti a 2 ótimos TV shows este ano. O primeiro foi American Gods, cuja 1ª temporada já acabou e que foi uma agradável surpresa.

O plot, adaptado do livro de mesmo nome de Neil Gaiman (sim o mesmo que escreveu meu comic favorito de todos os tempos, Sandman) gira em torno de Shadow Moon, um homem que esta prestes a sair da prisão e retomar sua vida com sua esposa.

American Gods

O problema é que ela morreu em um terrível acidente e na viagem de Shadow para o funeral ele inicia uma conversar com o estranho homem no assento ao lado dele.Este homem se chama Mr. Wednesday e ele sabe mais sobre o Shadow do que parece. Ele avisa que uma tempestade está chegando e a partir daí as coisas começam a acontecer.

American Gods

Eu não li o livro, então não posso opinar sobre o quanto a adaptação esta seguindo, mas o show como stand-alone, ah, gostei bastante. É interessante, curioso, tem suspense e humor na dose certa. A trilha sonora é ótima e os personagens são interessantes até mesmo quando não simpatizamos muito com eles.

O que pode deixar algumas pessoas um pouco chocadas é a abundância de violência e sexo presentes na trama, apesar de dentro do contexto e que na minha opinião foram feitas artisticamente, logo se você não se ofende e curte séries que misturam fantasia e mitologia, eu super recomendo. A 1ª temporada já acabou, então agora é esperar até 2018 pela 2ª, que promete.

Elle (2016) – Resenha

Recentemente assisti Elle, com a direção de Paul Verhoeven e com a sensacional Isabelle Huppert no papel principal. O plot gira em torno de uma mulher bem sucedida, Michele, que depois de sofrer um estupro dentro da sua própria casa, busca encontrar seu agressor, e nesta busca, dá inicio a um jogo bizarro entre ambos.

Elle (2016)

Eu gosto de Paul Verhoeven, ele nos deu Basic Instint que eu adoro e Showgirls, que apesar da grande maioria não gostar e achar muito trashy, eu considero um cult clássico. Em Elle novamente nós temos a mulher forte que sabe o que quer e vai fazer o que for preciso para conseguir atingir seus objetivos, assim como as mulheres de Basic Instint e Showgirls. A diferença aqui é que Michele é mais velha, mais experiente e mais sábia do que as outras personagens de Verhoeven.

Elle (2016)

O filme é para adultos e aborda de forma super corajosa um tema que não estamos acostumados a ver com frequência: a ambivalência do desejo, do sexo e da vingança. Em uma mistura de thriller com comédia, Elle foi provavelmente o melhor filme que eu vi este ano, e é claro que eu recomendo para todos que estejam interessados em assistir algo fora do comum e que talvez o faço se sentir um pouco desconfontável.

Precisamos de mais filmes adultos, por favor!

The Fall (TV Série) – Resenha

E chegou ao fim a série The Fall, onde a detetive Stella Gibson investiga Paul Spector, um serial killer perverso, com fetiches sado-bondage, que persegue mulheres com um certo perfil. Um série lenta, que levou o tempo para chegar onde queria, bem do jeitinho que eu gosto.

Gillian Anderson como Stella Gibson esta simplesmente sensacional: arrisco dizer que é um dos personagens femininos mais fortes destes últimos tempos. Profissional, certeira, humana, o rosto dela em diversos momentos é pura poesia. Jamie Dornan como o perverso Paul Spector também dá um show de interpretação: em momentos a gente quase esquece que ele é um doente narcisista que não consegue sentir nada por ninguém, salvo talvez pela sua filhinha.

The Fall

O final da série foi bombástico e surpreendente, confesso que eu não imaginei aquele final, mas entendo de onde veio a motivação. O que me deixou triste é saber que não teremos mais Stella, já que a série terminou com um ponto final.

Série aparte, uma coisa que me moveu a escrever aqui foi a reação que tenho visto nas redes sociais e mesmo no IMDB em relação a personagem Stella Gibson:

Spoiler

Outra coisa chocante são as pessoas no IMDB que chamam Stella de vagabunda porque ela decide com quem ir para a cama e para quem dizer não. Como assim gente, estamos em 2016, uma mulher pode ser uma excelente profissional e ter uma vida sexual saudável também.

The Fall

É por essas e outras que vejo como uma personagem fictícia como Stella Gibson ainda esta longe de ser o normal, tanto nas telas quanto na vida real, enquanto um Don Draper (de Mad Men) passa sem trazer crítica ao seu comportamento sexual.

Enfim, vamos torcer para que no futuro Stella Gibson volte em outro caso, pois precisamos de séries deste calibre e de mulheres donas de seu destino.

Suicide Squad (2016) – Resenha

Depois de meses, finalmente decidi assistir Suicide Squad, e na boa, sem querer ofender os fanboys e fangirls out there, seria melhor se eu não tivesse assistido. O filme é muito ruim. Os personagens são de papelão, e por isso não dá para exigir que os atores façam milagre com o conteúdo.

Achei um cacete os vilões toda hora ficarem lembrando a audiência de que eram os caras ruins. C’mon! Um personagem bem escrito, vilão ou não, mas com profundidade e humanidade faz o público simpatizar e torcer por ele.

Suicide Squad (2016)

E tem aquelas coisas que não fazem sentido, como no caso do Joker com Harley Quinn: por que fazer um caso de amor quando nós sabemos via comics que o relacionamento deles é totalmente fucked, que Joker é incapaz de sentir amor e Harley é só um acessório. A vibe “amor-romantico” que o diretor criou foi péssima.

Will Smith, eu gosto de Will, mas na minha opinião ele estava como sempre esta em seus filmes: um cara preocupado com seus filhos. Nem de longe ele parece um assassino profissional, frio e calculista. Never, jamé.

Teve o personagem australiano que eu não consegui entender 50% do que ele falava, além dos outros coitados: Viola Davis muito mal aproveitada; Joel Kinnaman duro como um pedaço de pau e Cara Delevingne que também não convenceu, mas até ai, a culpa destes atores não terem desenvolvido nada que valha a pena foi provavelmente do script.

A conclusão que eu cheguei é que qualidade esta virando coisa do passado. Os studios lançam esses blockbusters várias vezes ao ano, fazem um hype gigantesco, sempre com super heróis e vilãos que são queridos por uma grande maioria e pimba, dobram o investimento com um produto mediocre. E ano que vem, rinse & repeat.

Tô meio cheia de filmes assim. Pelo menos não gastei uma fortuna para ver essa droga no cinema…

Veredito: se não viu, não perca seu tempo, é uma pilha de estrume fumegante.

Movies galore

Recentemente assisti vários filmes que já estavam na minha listinha de “assistir“, e em alguns casos, foi uma agradável surpresa, e em outros, nem tanto.

The Nice Guys, com Ryan Gosling e Russel Crowe eu simplesmente adorei! Dois investigadores em Los Angeles dos anos 70 tentam desvendar o aparente suicídio de uma porn star. Totalmente minha praia, a química entre os dois é excelente, o script é casadinho, tudo funciona direito. Adorei e super recomendo.

the nice guys

Queen of Earth na minha opinião ficou na categoria meh. Duas amigas que cresceram juntas, mas que estão num relacionamento mútuo passivo-agressivo. Não é péssimo, mas não me moveu. Se não fosse a excelente atuação da sempre ótima Elisabeth Moss, acho que teria não gostado do filme.

Julieta, de Pedro Almodóvar, sobre uma mulher que decide confrontar seu passado e seu distanciamento com a filha, é bom sim, mas eu já tinha lido o livro de Alice Munro que ele usou como base, até mesmo já escrevi sobre o livro aqui, então isso quebrou um pouco o encantamento, mas o filme é muito bonito e eu recomendo com certeza.

julieta

The Neon Demon, de Nicolas Winding Refn, sobre uma modelo aspirante que esta cercada de belas e invejosas mulheres dispostas a tudo para ter “aquilo” que ela tem. Putz, sou fanzoca de NWR, mas esse filme realmente me fez revirar os olhos. É LINDO, lindo, parece aquele bolo que foi cuidadosamnte decorado e produzido e que só de olhar a gente começa a salivar. Mas infelizmente, na primeira mordida vem a desilusão: tanta beleza, e nenhuma substância. Vai ver é esse mesmo o ponto que ele quis fazer com o filme, mas ainda assim ficou faltando alguma coisa. Elle Fanning é uma gracinha, mas em nenhum momento consegui comprar que ela tinha uma beleza excepcional capaz de despertar a inveja de outras modelos. Vai ver ele quis fazer um comentário com isso também, ás vezes a modelo não é a mais bela e perfeita, apenas a percepção ditada por alguém faz todo mundo acreditar que ela seja. Em nenhum outro lugar isso é mais verdade do que no mundo da moda. Talvez ele tenha feito várias coisas de maneira proposital, mas como escrevi acima, ainda ficou faltando alguma coisa. Pela beleza, recomendo. Mas vá com baixas espectativas quanto a todo o resto.

the neon demon

E finalmente, Jason Bourne. E aqui tenho que dizer, WTF!! De todos que listei aqui, este com certeza é o pior. O script é risível, com umas falhas que hoje em dia não deveriam passar: sei que estou sendo procurada, e ao invés de usar peruca, boné e andar pelas sombra, marco um encontro no meio de um movimento ativista! E por que não falar o que tenho para falar quando vou encontrar JB, ao invés de ir lá dizer para ele me encontrar em tal lugar a tal hora? Gente! E quem pluga um USB drive num computador conectado a internet? Sério? Vários furos, vários, mas não vou listar todos aqui porque não quero dar spoiler. E Alicia Vikander com a mesma expressão o filme todo. Gente, seu personagem pode ser uma sociopata, mas você não é mais o robot de Ex Machina. Enfim, não recomendo esse filme nem se não tiver nada mais para assistir. É muito ruim, quase um insulto a nossa inteligência.

As verdades que ela não diz – Review

Hoje em dia se eu não gosto de alguma coisa, não perco meu tempo escrevendo sobre essa experiência, seja um filme, um livro, um restaurante… Quanto menos a coisa significa pra mim, menos ligo se foi bom ou ruim. Claro que ligar o whatever é um aprendizado e nem sempre 100% infalível, mas percebo que é a melhor maneira de me estressar menos.

Outra coisa que aprendi foi: se não esta bom, larga e parte pra outra coisa. Livro, filme, restaurante, taxi fedido, etc. Durante quase toda minha vida eu sentia obrigação de terminar o livro que tinha começado, por exemplo. Fazia um investimento emocional e ia até o fim, não importa se estava bom ou ruim. E pra que isso? Não faz sentindo nenhum se sacrificar assim. Finalmente caiu a ficha e comecei a abandonar livros que não me cativaram. No 1º capítulo, nos 50%, não importa, dei a chance, não rolou, ciao e próximo! Existem mais livros no mundo que eu quero ler do que tempo para lê-los, então a seleção tem que acontecer para que o tempo seja usado para a leitura que vai me trazer prazer ou conhecimento ou questionamento ou pura diversão.

Estava lendo As verdades que ela não diz, de Marcelo Rubens Paiva e infelizmente tive que usar a regra acima e parei de ler, ao mesmo tempo que vou contrariar a primeira regra descrita.

As verdades que ela não diz é um livro de contos sobre o universo feminino, mas que deixa muito a desejar. De início achei que o problema fosse se tratar de contos: curtos, sem tempo de profundidade, eles podem trabalhar contra o escritor. Mas daí lembrei de Fugitiva, de Alice Munro, que li ano retrasado e como este livro de contos sobre mulheres é maravilhoso. Sem dificuldade nenhuma consigo lembrar daquelas mulheres e suas vidas. Infelizmente não posso dizer o mesmo sobre as mulheres do Marcelo. Poderiam mesmo ser o mesmo fantasma de uma mulher em várias situações da vida, tão pouco sei do que são feitas.

As verdades que ela não diz

Sim, definitivamente o problema não é o formato, é o conteúdo. Nenhum daqueles personagens descritos por Marcelo tem dimensão. Li sobre seu cotidiano, mas não sobre o que estavam vivendo interiormente. E, oras bolas, esse não é um dos motivos de lermos, para podermos experimentar a vida pela visão de outro ser?

Quando os personagens são rasos, um livro não tem muita diferença de uma pessoa que eu sigo no Twitter ou Instagram: eu sei o que essas pessoas fazem e dizem, mas não sei sobre o que as motiva realmente.

Foi decepcionante, pois eu queria mergulhar neste universo feminino cheio de surpresas e reviravoltas que foi prometido na contra-capa do livro, mas aos 40% percebi que não tinha nada a ser ganho e parei de ler. É uma pena, pois eu respeito este escritor, mas não consigo investir meu tempo se não vejo retorno.

Talvez tenho sido um erro ler um livro assim logo depois da enxurrada emocional de Karl Ove Knausgård, mas enfim. Tentei. E se quiser ler um excelente livro de contos sobre mulheres, leia a Fugitiva de Alice Munro.

As verdades que ela não diz (Amazon)

Fugitiva (Amazon)

Fim

Terminei de ler o livro Fim, de Fernanda Torres. Que alegre surpresa! Não criei expectativas e o romance me surpreendeu, me divertiu, me fez pensar e mais importante, me envolveu: comecei a sentir que conhecia estes personagens e até a me preocupar com eles. Era difícil parar de ler, pois eu queria saber o que tinha acontecido com eles, como quero saber como estão meus amigos distantes. Gostei da linguagem, gostei do tema, gostei de como o livro foi desenvolvido, gostei de tudo.

The Counselor (O Conselheiro do Crime)

Final de semana passada assisti The Counselor, que estreiou nos cinemas aqui no US no outono passado. O roteiro é de Cormac McCarthy, um escritor americano que eu ainda não li, mas cujos livros já viraram ótimos filmes, entre eles No Country for Old Men e The Road.

The Counselor é um filme estranho, com longos diálogos que geralmente não vemos em filmes de hollywood, e a primeira vista é fácil achar o filme chato, e esta “estranheza” foi o que provavelmente rendeu a baixa nota no IMDB. O filme tem uma vibe noir, cínica, e assim que a trama é apresentada, podemos imaginar como a estória vai se desenrolar. Mas assim como a vida, uma vez que o mecanismo das ações e consequências começa a girar, não tem como parar até que ele se desenrole totalmente. 😉

Eu gostei bastante e já coloquei alguns livros do escritor na minha lista de leitura do ano. Para mais info no filme, IMDB.

The Counselor

Assassin’s Creed: Revelations

Eu não sou de fazer review de games, se não gosto do jogo mando de volta e pego outro, mas como Assassin’s Creed: Revelations faz parte da série que adoro, resolvi dar meu pitaco. 😀

Assassin's Creed: Revelations

Ainda não bati o jogo, mas já tenho reclamações. Multiplayer, por exemplo. Não poder decidir exatamente qual tipo de jogo eu quero jogar e me colocar em modes que eu não gosto, sacal demais. Sei que dá para entrar no private mode e selecionar, mas quando faço isso tenho que esperar uma eternidade até conseguir achar um match. Ubisoft recebeu milhares de reclamações por causa da demora nos matches no ACB, mas não gostei da maneira que eles decidiram “consertar” isso. Mesmo porque eu nunca tive problemas sérios para achar um match no ACB. Logo entre não conseguir escolher meu game mode, quase nunca conseguir jogar no time com os amigos, deixei o multiplayer de lado e me concentrei no storymode.

E o que encontrei foram bugs, dezenas de bugs em Assassin’s Creed: Revelations. Ezio desaparece (e não apenas quando renova uma loja), afunda no chão, entra na parede, sequencias que se iniciam (principalmente quando é preciso usar o eagle vision) sem que eu perceba e o pior de tudo, quando consigo 100% Synch, mas o jogo não registra. Isso já aconteceu 2 vezes, seguir as instruções direitinho e na hora de receber o 100%, necas, diz que falhei. Tenha dó né?

A impressão que eu tenho é que esta edição foi feita as pressas. Eu não tive nenhum destes problemas nas edições anteriores, o jogo sempre pareceu redondinho. Mas Ubisoft aparentemente quer lançar um AC por ano, é claro que na pressa algumas coisas vão ficar a desejar…

Outra coisa que eu não gosto é a defesa dos dens. Ah, toda vez que Ezio fica notório eu preciso correr para defender um den? Ah não! Quebra o clima total. O que tenho feito é elevado meus assassins a master, pois aparentemente quando isso acontece o den fica trancado. Outra opção que me falaram é realizar as duas missões conectadas ao den, pois ai eles também ficam impenetráveis.

Enfim, vou bater o storymode e tentar o prestige no multiplayer, mas não sei quanto tempo isso vai levar. 😛