Elle (2016) – Resenha

Recentemente assisti Elle, com a direção de Paul Verhoeven e com a sensacional Isabelle Huppert no papel principal. O plot gira em torno de uma mulher bem sucedida, Michele, que depois de sofrer um estupro dentro da sua própria casa, busca encontrar seu agressor, e nesta busca, dá inicio a um jogo bizarro entre ambos.

Elle (2016)

Eu gosto de Paul Verhoeven, ele nos deu Basic Instint que eu adoro e Showgirls, que apesar da grande maioria não gostar e achar muito trashy, eu considero um cult clássico. Em Elle novamente nós temos a mulher forte que sabe o que quer e vai fazer o que for preciso para conseguir atingir seus objetivos, assim como as mulheres de Basic Instint e Showgirls. A diferença aqui é que Michele é mais velha, mais experiente e mais sábia do que as outras personagens de Verhoeven.

Elle (2016)

O filme é para adultos e aborda de forma super corajosa um tema que não estamos acostumados a ver com frequência: a ambivalência do desejo, do sexo e da vingança. Em uma mistura de thriller com comédia, Elle foi provavelmente o melhor filme que eu vi este ano, e é claro que eu recomendo para todos que estejam interessados em assistir algo fora do comum e que talvez o faço se sentir um pouco desconfontável.

Precisamos de mais filmes adultos, por favor!

The Fall (TV Série) – Resenha

E chegou ao fim a série The Fall, onde a detetive Stella Gibson investiga Paul Spector, um serial killer perverso, com fetiches sado-bondage, que persegue mulheres com um certo perfil. Um série lenta, que levou o tempo para chegar onde queria, bem do jeitinho que eu gosto.

Gillian Anderson como Stella Gibson esta simplesmente sensacional: arrisco dizer que é um dos personagens femininos mais fortes destes últimos tempos. Profissional, certeira, humana, o rosto dela em diversos momentos é pura poesia. Jamie Dornan como o perverso Paul Spector também dá um show de interpretação: em momentos a gente quase esquece que ele é um doente narcisista que não consegue sentir nada por ninguém, salvo talvez pela sua filhinha.

The Fall

O final da série foi bombástico e surpreendente, confesso que eu não imaginei aquele final, mas entendo de onde veio a motivação. O que me deixou triste é saber que não teremos mais Stella, já que a série terminou com um ponto final.

Série aparte, uma coisa que me moveu a escrever aqui foi a reação que tenho visto nas redes sociais e mesmo no IMDB em relação a personagem Stella Gibson:

[su_spoiler title=”Spoiler”]Depois que Spector espancou Stella, centenas de pessoas foram ao Twitter da atriz Gillian Anderson dizer que ela mereceu a sova que tinha levado pois ela era muito insolente. Inacreditável!!! Estamos falando de um serial killer que mata mulheres com requintes de crueldade, mas uma parte do público acredita que Stella mereceu levar socos no rosto porque estava fazendo bem o seu trabalho.[/su_spoiler]

Outra coisa chocante são as pessoas no IMDB que chamam Stella de vagabunda porque ela decide com quem ir para a cama e para quem dizer não. Como assim gente, estamos em 2016, uma mulher pode ser uma excelente profissional e ter uma vida sexual saudável também.

The Fall

É por essas e outras que vejo como uma personagem fictícia como Stella Gibson ainda esta longe de ser o normal, tanto nas telas quanto na vida real, enquanto um Don Draper (de Mad Men) passa sem trazer crítica ao seu comportamento sexual.

Enfim, vamos torcer para que no futuro Stella Gibson volte em outro caso, pois precisamos de séries deste calibre e de mulheres donas de seu destino.

Suicide Squad (2016) – Resenha

Depois de meses, finalmente decidi assistir Suicide Squad, e na boa, sem querer ofender os fanboys e fangirls out there, seria melhor se eu não tivesse assistido. O filme é muito ruim. Os personagens são de papelão, e por isso não dá para exigir que os atores façam milagre com o conteúdo.

Achei um cacete os vilões toda hora ficarem lembrando a audiência de que eram os caras ruins. C’mon! Um personagem bem escrito, vilão ou não, mas com profundidade e humanidade faz o público simpatizar e torcer por ele.

Suicide Squad (2016)

E tem aquelas coisas que não fazem sentido, como no caso do Joker com Harley Quinn: por que fazer um caso de amor quando nós sabemos via comics que o relacionamento deles é totalmente fucked, que Joker é incapaz de sentir amor e Harley é só um acessório. A vibe “amor-romantico” que o diretor criou foi péssima.

Will Smith, eu gosto de Will, mas na minha opinião ele estava como sempre esta em seus filmes: um cara preocupado com seus filhos. Nem de longe ele parece um assassino profissional, frio e calculista. Never, jamé.

Teve o personagem australiano que eu não consegui entender 50% do que ele falava, além dos outros coitados: Viola Davis muito mal aproveitada; Joel Kinnaman duro como um pedaço de pau e Cara Delevingne que também não convenceu, mas até ai, a culpa destes atores não terem desenvolvido nada que valha a pena foi provavelmente do script.

A conclusão que eu cheguei é que qualidade esta virando coisa do passado. Os studios lançam esses blockbusters várias vezes ao ano, fazem um hype gigantesco, sempre com super heróis e vilãos que são queridos por uma grande maioria e pimba, dobram o investimento com um produto mediocre. E ano que vem, rinse & repeat.

Tô meio cheia de filmes assim. Pelo menos não gastei uma fortuna para ver essa droga no cinema…

Veredito: se não viu, não perca seu tempo, é uma pilha de estrume fumegante.

Movies galore

Recentemente assisti vários filmes que já estavam na minha listinha de “assistir“, e em alguns casos, foi uma agradável surpresa, e em outros, nem tanto.

The Nice Guys, com Ryan Gosling e Russel Crowe eu simplesmente adorei! Dois investigadores em Los Angeles dos anos 70 tentam desvendar o aparente suicídio de uma porn star. Totalmente minha praia, a química entre os dois é excelente, o script é casadinho, tudo funciona direito. Adorei e super recomendo.

the nice guys

Queen of Earth na minha opinião ficou na categoria meh. Duas amigas que cresceram juntas, mas que estão num relacionamento mútuo passivo-agressivo. Não é péssimo, mas não me moveu. Se não fosse a excelente atuação da sempre ótima Elisabeth Moss, acho que teria não gostado do filme.

Julieta, de Pedro Almodóvar, sobre uma mulher que decide confrontar seu passado e seu distanciamento com a filha, é bom sim, mas eu já tinha lido o livro de Alice Munro que ele usou como base, até mesmo já escrevi sobre o livro aqui, então isso quebrou um pouco o encantamento, mas o filme é muito bonito e eu recomendo com certeza.

julieta

The Neon Demon, de Nicolas Winding Refn, sobre uma modelo aspirante que esta cercada de belas e invejosas mulheres dispostas a tudo para ter “aquilo” que ela tem. Putz, sou fanzoca de NWR, mas esse filme realmente me fez revirar os olhos. É LINDO, lindo, parece aquele bolo que foi cuidadosamnte decorado e produzido e que só de olhar a gente começa a salivar. Mas infelizmente, na primeira mordida vem a desilusão: tanta beleza, e nenhuma substância. Vai ver é esse mesmo o ponto que ele quis fazer com o filme, mas ainda assim ficou faltando alguma coisa. Elle Fanning é uma gracinha, mas em nenhum momento consegui comprar que ela tinha uma beleza excepcional capaz de despertar a inveja de outras modelos. Vai ver ele quis fazer um comentário com isso também, ás vezes a modelo não é a mais bela e perfeita, apenas a percepção ditada por alguém faz todo mundo acreditar que ela seja. Em nenhum outro lugar isso é mais verdade do que no mundo da moda. Talvez ele tenha feito várias coisas de maneira proposital, mas como escrevi acima, ainda ficou faltando alguma coisa. Pela beleza, recomendo. Mas vá com baixas espectativas quanto a todo o resto.

the neon demon

E finalmente, Jason Bourne. E aqui tenho que dizer, WTF!! De todos que listei aqui, este com certeza é o pior. O script é risível, com umas falhas que hoje em dia não deveriam passar: sei que estou sendo procurada, e ao invés de usar peruca, boné e andar pelas sombra, marco um encontro no meio de um movimento ativista! E por que não falar o que tenho para falar quando vou encontrar JB, ao invés de ir lá dizer para ele me encontrar em tal lugar a tal hora? Gente! E quem pluga um USB drive num computador conectado a internet? Sério? Vários furos, vários, mas não vou listar todos aqui porque não quero dar spoiler. E Alicia Vikander com a mesma expressão o filme todo. Gente, seu personagem pode ser uma sociopata, mas você não é mais o robot de Ex Machina. Enfim, não recomendo esse filme nem se não tiver nada mais para assistir. É muito ruim, quase um insulto a nossa inteligência.

As verdades que ela não diz – Review

Hoje em dia se eu não gosto de alguma coisa, não perco meu tempo escrevendo sobre essa experiência, seja um filme, um livro, um restaurante… Quanto menos a coisa significa pra mim, menos ligo se foi bom ou ruim. Claro que ligar o whatever é um aprendizado e nem sempre 100% infalível, mas percebo que é a melhor maneira de me estressar menos.

Outra coisa que aprendi foi: se não esta bom, larga e parte pra outra coisa. Livro, filme, restaurante, taxi fedido, etc. Durante quase toda minha vida eu sentia obrigação de terminar o livro que tinha começado, por exemplo. Fazia um investimento emocional e ia até o fim, não importa se estava bom ou ruim. E pra que isso? Não faz sentindo nenhum se sacrificar assim. Finalmente caiu a ficha e comecei a abandonar livros que não me cativaram. No 1º capítulo, nos 50%, não importa, dei a chance, não rolou, ciao e próximo! Existem mais livros no mundo que eu quero ler do que tempo para lê-los, então a seleção tem que acontecer para que o tempo seja usado para a leitura que vai me trazer prazer ou conhecimento ou questionamento ou pura diversão.

Estava lendo As verdades que ela não diz, de Marcelo Rubens Paiva e infelizmente tive que usar a regra acima e parei de ler, ao mesmo tempo que vou contrariar a primeira regra descrita.

As verdades que ela não diz é um livro de contos sobre o universo feminino, mas que deixa muito a desejar. De início achei que o problema fosse se tratar de contos: curtos, sem tempo de profundidade, eles podem trabalhar contra o escritor. Mas daí lembrei de Fugitiva, de Alice Munro, que li ano retrasado e como este livro de contos sobre mulheres é maravilhoso. Sem dificuldade nenhuma consigo lembrar daquelas mulheres e suas vidas. Infelizmente não posso dizer o mesmo sobre as mulheres do Marcelo. Poderiam mesmo ser o mesmo fantasma de uma mulher em várias situações da vida, tão pouco sei do que são feitas.

As verdades que ela não diz

Sim, definitivamente o problema não é o formato, é o conteúdo. Nenhum daqueles personagens descritos por Marcelo tem dimensão. Li sobre seu cotidiano, mas não sobre o que estavam vivendo interiormente. E, oras bolas, esse não é um dos motivos de lermos, para podermos experimentar a vida pela visão de outro ser?

Quando os personagens são rasos, um livro não tem muita diferença de uma pessoa que eu sigo no Twitter ou Instagram: eu sei o que essas pessoas fazem e dizem, mas não sei sobre o que as motiva realmente.

Foi decepcionante, pois eu queria mergulhar neste universo feminino cheio de surpresas e reviravoltas que foi prometido na contra-capa do livro, mas aos 40% percebi que não tinha nada a ser ganho e parei de ler. É uma pena, pois eu respeito este escritor, mas não consigo investir meu tempo se não vejo retorno.

Talvez tenho sido um erro ler um livro assim logo depois da enxurrada emocional de Karl Ove Knausgård, mas enfim. Tentei. E se quiser ler um excelente livro de contos sobre mulheres, leia a Fugitiva de Alice Munro.

As verdades que ela não diz (Amazon)

Fugitiva (Amazon)

Fim

Terminei de ler o livro Fim, de Fernanda Torres. Que alegre surpresa! Não criei expectativas e o romance me surpreendeu, me divertiu, me fez pensar e mais importante, me envolveu: comecei a sentir que conhecia estes personagens e até a me preocupar com eles. Era difícil parar de ler, pois eu queria saber o que tinha acontecido com eles, como quero saber como estão meus amigos distantes. Gostei da linguagem, gostei do tema, gostei de como o livro foi desenvolvido, gostei de tudo.

The Counselor (O Conselheiro do Crime)

Final de semana passada assisti The Counselor, que estreiou nos cinemas aqui no US no outono passado. O roteiro é de Cormac McCarthy, um escritor americano que eu ainda não li, mas cujos livros já viraram ótimos filmes, entre eles No Country for Old Men e The Road.

The Counselor é um filme estranho, com longos diálogos que geralmente não vemos em filmes de hollywood, e a primeira vista é fácil achar o filme chato, e esta “estranheza” foi o que provavelmente rendeu a baixa nota no IMDB. O filme tem uma vibe noir, cínica, e assim que a trama é apresentada, podemos imaginar como a estória vai se desenrolar. Mas assim como a vida, uma vez que o mecanismo das ações e consequências começa a girar, não tem como parar até que ele se desenrole totalmente. 😉

Eu gostei bastante e já coloquei alguns livros do escritor na minha lista de leitura do ano. Para mais info no filme, IMDB.

The Counselor

Assassin’s Creed: Revelations

Eu não sou de fazer review de games, se não gosto do jogo mando de volta e pego outro, mas como Assassin’s Creed: Revelations faz parte da série que adoro, resolvi dar meu pitaco. 😀

Assassin's Creed: Revelations

Ainda não bati o jogo, mas já tenho reclamações. Multiplayer, por exemplo. Não poder decidir exatamente qual tipo de jogo eu quero jogar e me colocar em modes que eu não gosto, sacal demais. Sei que dá para entrar no private mode e selecionar, mas quando faço isso tenho que esperar uma eternidade até conseguir achar um match. Ubisoft recebeu milhares de reclamações por causa da demora nos matches no ACB, mas não gostei da maneira que eles decidiram “consertar” isso. Mesmo porque eu nunca tive problemas sérios para achar um match no ACB. Logo entre não conseguir escolher meu game mode, quase nunca conseguir jogar no time com os amigos, deixei o multiplayer de lado e me concentrei no storymode.

E o que encontrei foram bugs, dezenas de bugs em Assassin’s Creed: Revelations. Ezio desaparece (e não apenas quando renova uma loja), afunda no chão, entra na parede, sequencias que se iniciam (principalmente quando é preciso usar o eagle vision) sem que eu perceba e o pior de tudo, quando consigo 100% Synch, mas o jogo não registra. Isso já aconteceu 2 vezes, seguir as instruções direitinho e na hora de receber o 100%, necas, diz que falhei. Tenha dó né?

A impressão que eu tenho é que esta edição foi feita as pressas. Eu não tive nenhum destes problemas nas edições anteriores, o jogo sempre pareceu redondinho. Mas Ubisoft aparentemente quer lançar um AC por ano, é claro que na pressa algumas coisas vão ficar a desejar…

Outra coisa que eu não gosto é a defesa dos dens. Ah, toda vez que Ezio fica notório eu preciso correr para defender um den? Ah não! Quebra o clima total. O que tenho feito é elevado meus assassins a master, pois aparentemente quando isso acontece o den fica trancado. Outra opção que me falaram é realizar as duas missões conectadas ao den, pois ai eles também ficam impenetráveis.

Enfim, vou bater o storymode e tentar o prestige no multiplayer, mas não sei quanto tempo isso vai levar. 😛