Zero Zero Zero, de Roberto Saviano

Terminei de ler Zero Zero Zero, de Roberto Saviano. O autor, como já tinha feito no livro anterior Gomorrah, mergulha de cabeça no assunto que esta pesquisando, e claro, com esse livro não foi diferente.

Zero Zero Zero aparentemente é o codinome que os traficantes dão a mais pura cocaína no mercado, aquela que ainda não passou de mão em mão e não foi cortada e misturada para dar mais lucro. O livro de 416 páginas é tortuoso: ele fala desde as guerras do tráfico no México, dando uma possível explicação a barbárie que acontece por lá dia-sim e dia-também, passando por Venezuela, Brasil, Europa, África, até chegar aos figurões que facilitam o transporte e lavagem do dinheiro da droga. Muita violência, muita sujeira, uma corrupção estrondosa do negócio mais rentável do mundo: cocaína.

Zero Zero Zero, de Roberto Saviano

Contrário a uns que ficaram chocados com a violência imposta aqueles que ingressam neste mundo (principalmente as guerras de facções no México), o que ficou martelando na minha cabeça são aquelas imagens que vemos frequentemente na TV de apreensões de traficantezinho de esquina com 80 reais e 10 papelotes no bolso, enquanto toneladas de coca partem dos nossos portos sem qualquer problema…

Dois momentos bem WTF são sobre os Kailibes que eu nunca tinha ouvido falar e mais tarde sobre Bruno Fuduli. Cara, Itália é o Brasil da Europa.

O que falar sobre o livro? Bom, eu não gosto do estilo de Saviano, de como ele escolhe costurar os casos ou de quando ele mesmo fala sobre o que esta escrevendo de maneira poética. Gosto de não ficção de maneira limpa, direta, com observações que vão me fazer refletir. Mesmo assim o livro vale a pena ser lido, pois tem muita informação sobre esse submundo das drogas e como atinge tudo e todos em absolutamente qualquer lugar.

E a solução para tanta violência, corrupção? Como acabar com esta empreitada criminosa? Na minha opinião, atingindo onde dói mais, no bolso dos caras. Sem dinheiro para molhar as centenas de palmas que se estendem daqui até o outro lado do Atlântico, a invencibilidade começaria a rachar. Ou talvez não, não sei.

Nem tudo que reluz é ouro…

Ontem vi este artigo onde a atriz Gemma Arterton alerta que muitos atores estão sendo escolhidos para seus papéis não pelo talento, mérito ou trabalhos anteriores, mas pelo número de seguidores que possuem nas mídias sociais. Bom, isso com certeza explica a ascensão de Cara Delevingne, que como atriz é uma excelente modelo.

Obviamente, não estou surpresa. É só olhar o poder e ascensão social de pessoas com milhões de seguidores no Instagram, por exemplo, as Kardashians, para ver como essa idéia brotou na cabeça dos suits do showbiz…

O que me surpreende é ninguém questionar estes números. Preste atenção, a pessoa pode ter milhões de seguidores, mas o número de likes é sempre por volta de 1% para contas pequenas e médias e 10% para contas maiores. Existem excessões, sim, mas é isso que são: excessões. O resto, é across the board, você pode entrar em várias contas, a percentagem é sempre semelhante. Isso acontece porque as mídias socias estão super inchadas com:

1) Contas Inativas, a pessoa fez a conta, aceitou a sugestão de quem seguir que o app faz quando você loga pela 1ª vez (geralmente, as pessoas mais famosas da sua rede) e nunca mais voltou a logar;

2) Contas falsas. É notório o mercado paralelo de compra de seguidores, onde pessoas pagam para parecerem populares. Uma pessoa é dona de milhares de contas falsas e oferece esse serviço. E centenas de pessoas oferecem esses mesmo serviço, então imagine QUANTAS contas falsas existem para suprir a demanda de “popularidade”. No Twitter é fácil perceber, são contas geralmente com ovos no perfil e seguidas de número, por exemplo, patricia76542800. No Instagram são contas que seguem milhares de pessoas, tem pouco ou nenhum conteúdo e poucos seguidores.

É claro que celebridades não tem necessidade de pagar para ter seguidores falsos, mas as pessoas que vendem seguidores, para burlar o algoritmo e evitar serem banidas, seguem famosos e aleatórios para disfarçar. E isso acontece EM TODAS mídias sociais: Twitter, Facebook, Instagram, Vine, etc. Todas. Você pode comprar seguidores, comprar likes, comprar retwittes, comprar shares, enfim, tudo que uma conta real pode fazer, uma conta falsa pode fazer também, se você pagar.

Conta de uma pessoa muito famosa com seguidores falsos
Conta de uma pessoa muito famosa com seguidores falsos

Existem ferramentas que ajudam você a descobrir se seus seguidores são falsos, mas aos poucos essas ferramentas estão sumindo, pois os próprios sites não querem desvendar o quanto de seus usuários são fakes. Pense em como o FB celebra quando alcança um número extraordinário de usuários. Para eles é interessante que os anunciantes saibam que, via FB, eles potencialmente atingirão esse número fantástico de pessoas com seus anúncios. FB não vai falar “olha, temos 1,721,000,000 de usuários, incluindo as contas falsas, contas inativas, contas duplicadas, contas de pessoas que morreram, etc” para os anunciantes, não é mesmo? O mesmo ocorre no Twitter, Insta, etc. Contas falsas é um bom negócio para as mídias socias, pois elas indicam crescimento do serviço. E claro, não faz mal nenhum as pessoas famosas, que cobram para fazer merchant de acordo com o número de seguidores que possuem.

Tem que ser muito sonso para acreditar que a pessoa que tem 80 milhões de seguidores realmente alcança essas 80 milhões de contas. O Insta de Kim Kardashian, por exemplo, só chega na marca dos 10% de likes do seu total de seguidores quando posta videos. Poucas fotos do seu feed chegam a essa marca de 10% recentemente. Claro que é um reach imenso sim, 8-10 milhões de likes, mas pode ser que alguém com 40 milhões de seguidores, metade da Kim, tenha um reach exatamente igual ao dela ou maior, e mais “poder” real de influenciar, dependendo de onde e quem seja essa pessoa.

No Youtube, por exemplo, DisneyCollectorBR com 8 milhões de inscritos ganha quase o mesmo que PewDiePie com 47 milhões. Logo, DisneyCollectorBR, um canal mais novo, com menos vídeos, com pouco gasto de produção e maintenance das mídias socias (só tem YT e ponto) é, no final das contas, o canal que realmente esta se dando muito bem.

Gráfico de comparação entre DisneyCollectorBR e PewDiePie
Gráfico de comparação entre DisneyCollectorBR e PewDiePie

Claro que nem todas pessoas que seguem dão likes ou reshares, mesmo assim, vamos dar uma margem maior, mesmo que 15% se manifeste dando like ou reshare e 15% fique em silêncio porque não de participar, quem são esses outros 70% que entram mudos e saem calados?

O número de seguidores/inscritos não é necessariamente algo que pode, a primeira vista, ser usado como régua de sucesso. Tem muito coisa que entra neste angu.

Lembrem-se disso: em nenhum lugar a frase “nem tudo que reluz é ouro” é mais verdadeira do que nas mídias socias.

Pois é…

Realmente, fica bem óbvio que vivemos num mundo muito bizarro quando uma garota de 14 anos sofre um atentado simplesmente por falar como é viver sob o regime Taliban. Hãn! Homens deste “movimento”, assustados com a repercussão do que uma garota de 14 anos tem a dizer… Seria patético se não fosse trágico.

Impressionante também é ler que o policial que “tasered” aquele estudante brasileiro que roubou biscoito, “provavelmente teria usado a arma, mesmo sabendo que o jovem estava sendo procurado apenas para roubar biscoitos” porque, segundo ele, o garoto tinha uma “força sobrenatural”. Claro, só mesmo 14 tasers domariam a tal “força sobrenatural”.

E tem ainda o policial em Houston, TX, que atirou na cabeça de um amputado, que estava numa cadeira de rodas, “ameaçando-o com uma caneta”. Dois policiais e não conseguiram dominar a situação onde, deixa eu repetir, o suspeito era um homem amputado usando uma caneta como arma em uma cadeira de rodas. WTF!!!

E é apenas terça-feira… 😡

Madonna Mia!

Terminei de ler o livro “O Monstro de Firenze“, de Douglas Preston e Mario Spezi, sobre o famoso assassino em série que matava casais que iam namorar nas colinas que cercam Firenze entre 1974 (ou 1968, dependendo de como o caso é analisado) e 1985 e inspirou Hannibal, de Thomas Harris. O livro aponta como este caso é cercado de erros e absurdos cometidos pela justiça italiana, conta ainda com uma maluca cismada com teorias demoníacas que tem um site dedicado a teorias de conspiração e que a procuradoria usou como base para suas investigações (!!) e um jornalista que é preso por apontar os erros cometidos pelos investigadores e promotores, entre outras tantas coisas extraordinárias. Soa como ficção, mas não é, e infelizmente toda esta massaroca fantasiosa e incompetente contribuio para que o assassino nunca fosse pego.

O Monstro de Firenze

Um tidbit interessante (ou trágico) é que Guiliano Mignini, promotor do caso de Amanda Knox, é o mesmo que fez “remendas” mal feitas no caso do Monstro de Firenze. Não é a toa que ela foi condenada e depois absolvida.

Apesar da saudade boa que senti ao ler as descrições de Firenze, uma cidade apaixonante e que eu já pensei em visitar novamente, depois de ler como o sistema judiciário funciona (ou como não funciona) na Itália, fiquei enojada. Quando a polícia e o judiciário são assim tão corruptos, quem pode nos proteger? O melhor a fazer é evitar a polícia na Itália como a evitamos no Brasil.

Vida em Marte

É sempre bizarro ver idéias suas realizadas por outros. Anos atrás eu escrevi uma longa sinopse para uma estória onde o personagem principal sofria um acidente e ao acordar, tinha voltado 30 anos. Minha idéia era ter o final do anos 60 e o início dos 70, experimentados por alguém que já sabia que certas coisas iam acontecer mas sem entender como tudo aquilo estava acontecendo consigo mesmo (o personagem estava em coma).

Pois semana passada comecei a assistir Life on Mars, onde o plot é exatamente este. O seriado é de 2008, minha idéia é de 1990 e qualquer coisa, então é seguro dizer que, até onde eu sei, pensei nisso primeiro. Mas até ai, o post não é exatamente sobre o que veio primeiro, pois este é apenas um exemplo, já que durante minha vida isso rolou diversas vezes e acredito, e aposto, com você também, vendo algo pensado/sonhado por si realizado por outro. O interessante é como as idéias brotam aqui e ali, em pessoas diferentes, em continentes diferentes, épocas diferentes e circunstâncias diferentes. Como será isso? É possível que o escritor juntou as mesmas peças que eu (no exemplo que usei): minha curiosidade com o que acontece ao cérebro quando estamos em coma + anos interessantes que eu gostaria de saber mais + viagem no tempo? Ou será que ele chegou a este plot impulsionado por algo totalmente diferente?

Seja lá como for que essas coisas aconteçam, é fantástico e bizarro e eu ainda estou tentando entender como o déjà-vu funciona. 😀

Esquerda, Direita

Estou cansada de política. Esquerda, direita, democratas e republicanos, não existe mais diferença. Esta todo mundo no bolso de quem tem grana, o zé povinho que se lasque.

Semana passada li um trecho do novo livro de Matt Taibbi onde ele fala sobre serviços públicos que estão sendo leiloados, como os parquimetros de Chicago onde a Cia X ganhou o contrato, que é válido por 75 anos. O motivo do leilão é clássico: arrecadar dinheiro para tapar os buracos nos cofres públicos. O detalhe é que ninguém sabe exatamente quem são os donos da Cia X, pois Morgan Stanley fez a tramitação, mas a implicação é que os “sócios” são magnatas do oriente médio. Há, a ironia… enquanto uns culpam imigrantes por tudo de ruim que esta acontecendo neste país, o mesmo esta sendo adquirido -silenciosamente- pedacinho por pedacinho, por ricaços (estrangeiros) que vão comandar.

Matt inclusive usou um exemplo excelente, do viciado em crack que começa a vender a TV e o DVD player para poder financiar o vício: vamos liquidar e pegar a grana agora, do futuro ninguém sabe.

Ah america!

Texto do Matt em inglês, aqui: Griftopia.

“Comerciantes da Insatisfação”

Excelente post de Seth Godin que eu tenho que comentar. Ele fala sobre essa onda de marketing que passou do “Se você comprar isso, vai ser feliz” para “Você é infeliz/feio/solitário/usando tecnologia obsoleta, então é melhor comprar isso aqui que vai resolver seus problemas”, ou seja, o anúncio é criado para fazer você se sentir o ó do borogodó e só a aquisição do bem em display vai trazer a felicidade de volta. Para um exemplo perfeito e certeiro, dê uma olhada em qualquer revista feminina.

Mas o melhor é a pergunta que Seth faz no final: POR QUE ACEITAMOS ISSO?

Controle

Estou diminuindo aos poucos o tempo que passo na net. Estou exausta de ler/ver tanta bobeira que não adiciona absolutamente nada a minha vida, muito pelo contrário, me sinto irritada e desiludida com as besteiras que atravessam meu caminho. Sem falar no tempo precioso perdido em coisas nulas. Quem já não se pegou num site com fotos de LOLCats e FailPics 45 minutos depois de ter iniciado uma busca por um plugin? É como eu digo para a minha amiga Y., a internet é o black hole. 🙂

Enquanto isso, minha lista de coisas a fazer cresce a cada semana, coisas que me dão prazer, me enriquecem mentalmente e me dão orgulho, e é nisto que eu quero me fixar. Chega de tentar entender a ignorância e vulgaridade alheia, de suspirar um “não acredito nesta babaquice”, de clicar em links idiotas com infos desnecessárias. Comecei a me policiar mesmo quando visito um site como o HuffPost (um dos sites onde leio news e política) a não clicar naqueles links laterais com “notícias” sobre o final do casamento de Sandra Bullock ou as cirurgias de Heidi Montag ou a bundona de Kim Kardashian. Nunca comprei revistas de fofocas, nunca curti sites como o de Perez Hilton, mas percebo que mais e mais estas porcarias estão se infiltrando na minha vida pelas frestas, como baratinhas de armário, e justamente em sites que eu considerava “sérios” e onde me sentia afastada das baixarias.

Enfim, é quase verão, hora de fazer uma limpeza e desintoxicação mental. 😎

Quebrando o iPad

Eu ia escrever um longo post sobre esses teen americanos que compraram em iPad para destruir logo em seguida, na frente da loja. Mas desisti quando li a resposta de um deles a pergunta do por que fizeram isso: “era só algo para fazer.” Na boa, WTF?