…seeing
Na madrugada que terminei de ler “Ensaio Sobre a Lucidez”, José Saramago morreu.
Na madrugada que terminei de ler “Ensaio Sobre a Lucidez”, José Saramago morreu.
Esta nublado e meio frio em LA. Eu deveria tirar umas fotos para relembrar como dias assim são gostosos, naqueles intermináveis dias de sol, calor e secura que estão me cansando…
•••
Assisti Les Quatre Cents Coups este final de semana. Que filme bonito… Uma das cenas que mais me comoveu foi a da criançada no teatro de marionetes. Quem viu o filme sabe do que estou falando. Quem não viu, deveria ver.
Acordei com o celular, minha mãe preocupada com a possibilidade de um tsunami na costa do Pacífico por causa do terremoto no Chile. Depois de checar na internet que LA não estava na lista e acalmar minha mãe, mandei um email para um ex que vive no Chile. Espero que ele e sua família estejam bem.
Que coisa horrível este terremoto. E tão recente, mal tivemos tempo de nos recuperar do que houve no Haiti. Essa notícias me deixam prá baixo. Vivo em cima da falha de San Andreas e vez ou outra na conversa com amigos alguém fala sobre quando o “big one” vai acontecer aqui na Califórnia e quando recebemos notícias de Haiti, depois Chile, fica pairando no ar aquela sensação de “poderia ter sido aqui“.
Em 2008 eu experimentei meu primeiro terremoto aqui em LA, magnitude 5.5. Naquela época eu estava morando perto de Downtown, no oitavo andar de um prédio. Em casa, eram 11h40 da manhã, estava na minha mesa trabalhando. A primera coisa que senti foi uma sensação de instabilidade, depois o som dos vidros estalando nas antigas molduras da janela. Achei que era uma ilusão, um caminhão passando na avenida lá embaixo talvez, mas levantei da cadeira e de pé senti o prédio iiiiindo e viiiindo, como uma gelatina. Abri a porta do apartamento e pensei em descer as escadas de incêndio, mas o balanço me deixou sem saber bem o que fazer. A pior parte é que parecia que não ia terminar nunca. Mas parou, claro e imeditamente eu tentei falar com meu namorado. Não consegui, todos os circuitos estavam busy. Apanhei a bolsa, desci pela escada, entrei no carro e fui até a casa dele. No trajeto todo eu estava olhando para as pessoas na rua que pareciam não estar se preocupando com nada, e eu, trêmula, preocupada, com medo, já que a casa dele fica pendurada num morro. Um tremor que tinha feito meu prédio sacudir como uma gelatina Royal poderia facilmente fazer um morro descer abaixo. Quando cheguei vi a casa ainda pregada no morro e ele trabalhando como se nada tivesse acontecido, perguntei se não tinha sentido o terremoto, “ouvi o barulhos dos copos batendo lá me cima, só” foi a resposta. Me achou meio bobinha de estar tão preocupada, mas na verdade foi porque ele estava numa casa, não no 8º andar de um prédio que, mesmo depois do tremor passar, ainda tinha levado alguns segundos para cessar o movimento. Simples física.
Tive pesadelos com o terremoto muitas noites, imaginando que poderia ter sido muito pior, mas foi vendo a maneira desencanada das pessoas face a um acontecimento tão sério que decidi estar preparada para “o grande”: imagino rotas alternativas caso seja pega longe de casa, sempre tenho água, uma lanterna e um apito comigo, dentro de casa já decidi os locais “seguros”, longe dos vidros e janelas, nenhum espelho pendurado nas paredes, uma boa mesa onde eu possa me esconder embaixo e, mais importante, mudei do prédio. Confesso que a idéia de um terremoto esta sempre passando pela minha cabeça, afinal eles acontecem aqui diariamente, mas me sentir alerta de certa forma traz algum conforto, embora eu saiba que é pura ilusão.
Minhas preces vão para as pessoas no Chile.
Hoje é Presidents’ Day, feriadão aqui. Nhé. Se por um lado é ótimo pois o trânsito fica juju-beleza, por outro tive que trabalhar pela manhã.
A tarde fui no California Science Center IMAX Theater, no Exposition Park, assistir The Ultimate Wave Tahiti 3D, estrelando Kelly Slater, o surfista mega campeão mundial.
O filme tem uns 40 minutos (talvez um pouco mais) e conta como os surfistas, sempre em busca da onda perfeita vão para Teahupo’o, onde encontram tais ondas, mas surfando correm o perigo de serem esmagados nos reefs. Entre debates de surf como competição ou simples hobbie, explicações de como tais ondas de formam e um pouco da história do Tahiti é difícil não ser engolido pela força visual. Falei que é 3D? Gente, melhor só se estivesse lá.
A fotografia é linda e em dados momentos eu senti os olhos cheios d’água vendo tanta beleza e sentindo que ás vezes vivemos estressados com coisas que não querem dizer nada, quando na realidade deveríamos estar preocupados em preservar locais mágicos como este para os pequeninhos que estão por vir. É interessante como diante de tanta beleza a gente se rende: na fileira abaixo um pai de família com duas meninas e a esposa se derramou inteiro de chorar, o que também me comoveu, claro.
Não sei se este documentário vai passar ai no Brasil (sinceramente espero que sim), mas se passar eu recomendo.
Comentários