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Realidade dói

Posted on 23/08/2011 by in Livros

Estou terminando de ler dois livros, ambos não ficção. O primeiro é Deus, Um Delírio. Estou no capítulo onde o autor fala sobre como ser ateu não é sinonimo de imoral, algo que qualquer pessoa com pelo menos dois neurônios e um pouco de bom senso já deve saber, mas que é preciso explicar direitinho para uns e outros, senão acabamos linchados em praça pública. Richard Dawkins é um sujeito inteligente, ao mesmo tempo que é um piadista: eu achei que seria um livro meio sacal de ler, mas é ótimo, principalmente para quem que, depois de anos se questionando e questionando tudo que foi dito sobre deus e religião, acha que tem algo de podre no reino da Dinamarca. :D

Ri um pouco lendo certos comments na Opinião do Leitor no site da Cultura, mas não devia… Sabe quando você vê uma pessoa dar um tropicão e levar o maior tombo na rua e uma parte sua quer rir, outra quer ajudar e a outra sente um pouco de vergonha pelo sujeito que caiu? Então, é isso que eu sinto quando vejo certas pessoas fervorosamente religiosas que não sabem se expressar e seus argumentos soam totalmente absurdos. Enfim, o livro é bom e recomendo.

O segundo é 23 Coisa que Eles Não Falam Sobre o Capitalismo, de Ha-Joon Chang, que como algumas coisas que somos levamos a pensar sobre o capitalismo não são exatamente assim como soam ser. É um bom livro para ajudar a “pensar fora da caixa”, abrir os horizontes e questionar mais a fundo o que acontece ao nosso redor.

 

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Red Riding Quartet

Posted on 25/01/2011 by in Livros

Estou na reta final do quarteto Red Riding, de David Peace. Depois de assistir a trilogia feita pela BBC onde muita coisa se perdeu porque eu não consegui entender o sotaque pesado (e faltou legenda), resolvi ler os livros, que são totalmente meu estilo, pesados, obscuros, sórdidos e deprimentes. Props para o autor, que conseguiu fazer da coleção um verdadeiro page-turner, além de ter costurado muito bem a trama inteira. Usando a realidade como pano de fundo (algo que James Ellroy faz bem), ele ficciona a corrupção da polícia e os crimes do Ripper de Yorkshire.

Apesar de ter adorado os livros, tenho que acrescentar que algumas coisas não me desceram bem, como a descrição estilo stream of consciousness, onde a escrita segue a maneira de pensarmos/falarmos, repetindo coisas e desconectando-se e conectando-se sem ordem, pontuado por repetições. Na minha opinião não adicionou nada a trama e poderia muito bem ter ficado de fora. De qualquer forma, recomendo os livros, ou pelo menos a série, com legenda é claro.

A Morte E a Morte de Quincas Berro D’Água

Posted on 20/10/2010 by in Brasil, Livros, Me fez sorrir...

Claro de depois de falar de um livro péssimo, preciso falar de um livro excelente, para balancear aquele gosto de coisa ruim. Terminei de ler A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado. Que maravilha, que prazer, que viagem!

O livro é uma mistura do fantástico com real. Os personagens são tão paupáveis que é assustador. Ao terminar o livro a impressão que eu tenho é que eu conheci essas pessoas e um pedacinho da vidas delas. Os personagems saltam das páginas.

Eu não sei porque levei tantos anos para “descobrir” Jorge Amado, mas resolvi ler este senhor há poucos anos e acredito mesmo que por obra do destino, comecei no momento exato, quando, cheia de saudades e desiludida com o que reluzia mas não era ouro, aprendi a apreciar de verdade as coisas maravilhosas do Brasil. Houve um tempo que Dostoevsky era meu deus e senhor, e embora ele continue no topo, Jorge Amado chegou de mansinho e lhe tomou o lugar com sua cadência baiana, seu bom humor e a paixão de brasileiro

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Vampiros…

Posted on 19/10/2010 by in Livros, Me fez chorar..., Ninguém Merece!

Quem lembra do Vampiro Lestat? Este foi um livro que me envolveu totalmente. Eu era adolescente quando li pela 1ª vez e fiquei fascinada. Em certas partes era como se os personagens estivessem falando comigo. Não me pergunte como, nem que passagens, eu não lembro, só me recordo da sensação. Hormônios no pico talvez…

Como a nostalgia bate de vez em quando, resolvi dar uma chance a nova geração de vampiros, os de Stephenie Meyer, dai peguei “The Short Second Life of Bree Tanner“. Oh senhor. Por quê fui fazer isso?  Mais um livro que eu não vou terminar. Não sei se este é um bom exemplo do trabalho desta escritora, se for, putz, muito bom escritor que morreu pobre deve estar se revirando na cova. O livro é uma droga. Claramente pegou o bonde do sucesso dos outros da série e ninguém parou para questionar “devemos usar papel para imprimir estar &^%$*?” Enfim, um livro superficial, desinteressante e com personagens vazios e totalmente sem vida. No pior sentido, claro.

Vou assistir Interview with the Vampire que eu ganho mais. ;-)

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Tell All, de Chuck Palahniuk

Posted on 05/10/2010 by in Livros, Ninguém Merece!

Peguei o novo lançamento de Chuck Palahniuk, Tell All, e deixa eu te contar, que decepção. Não vou dizer que sou fã número 1 do cara, mas gostei bastante de alguns dos livros anteriores (Fight Club é o meu favorito; Haunted é engraçado e dark; Snuff é ok e Invisible Monsters passável), porém este livro é uma surpresa. No pior sentido da palavra.

Escrito como script de filme, com nomes e marcas em boldface (que idéia!), a narradora, que é uma espécie de secretária/criada, conta a vida de sua patroa, uma famosa atriz de Hollywood em decadência, e tudo que as cerca: traições, casamentos, divórcios, blablabla.

Personagens batidos e flats, tópico vazio e sem graça, trama previsível, enfim, aquele tipo de livro que faz você se perguntar: 1) “cadê o editor desta joça?”, para rapidamente levar as mãos a cabeça em desespero e 2) “o que estou fazendo lendo isto?” Eu já coloquei de lado, pois embora não tenha me custado nada, meu tempo não esta para ser gasto em asneira.

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…seeing

Posted on 21/06/2010 by in Livros, Me fez chorar...

Na madrugada que terminei de ler “Ensaio Sobre a Lucidez”, José Saramago morreu. :cry:

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Under the Dome

Posted on 11/05/2010 by in Livros

Estou lendo Under the Dome, o novo livro de Stephen King. Quase 1.100 páginas onde o futuro de uma cidadezinha no Maine esta seriamente comprometido por uma cúpula que cobre a cidade e é impenetrável. Ninguém entra, ninguém sai. Os personagens são convincentes, você passa a gostar de uns, detestar outros e o ritmo do livro é mantido, mas já me falaram que o final é fraco. Sou fã do cara e com o passar dos anos, aprendi a suspender a realidade e embarcar na viagem que ele convida seus leitores. Muitos finais me fizeram revirar os olhos, mas sempre levei em consideração que a viagem tinha sido melhor do que o destino. Estou na página 600 e pouco, vamos ver…

Ler ou não ler…

Posted on 22/04/2010 by in Livros

Algumas coisas são inexplicáveis. Finalmente peguei The Blind Assassin (O Assassino Cego, de Margaret Atwood) na biblioteca, depois de anos namorando o livro: foi recomendado por amigos, já quase comprei diversas vezes, mas nunca chegava aos finalmentes. Comecei a ler semana passada e estou empacada. Não estou conseguindo continuar, não me chama, não me deixa curiosa, nada. As 50 páginas que li foram boas, mas só, nenhuma chama aqui dentro se acendeu.

Eu sempre tive uma regra pessoal em relação as livros: nunca parar de ler um na metade. Muitas vezes fui surpreendida depois de ultrapassar “a barreira”, outras tantas foi um desastre, puro masoquismo da minha parte, mas acho que preciso re-pensar melhor sobre esta imposição de tantos anos…

Em contrapartilha, comecei a ler Caim, de José Saramago, e meu deus, que livro! A cada página sou encantada pela viagem que embarquei. Me divirto ao mesmo tempo que reflito no que o escritor esta fazendo comigo. É sensacional. Eu adoro Saramago. Ele foi um destes que eu sempre hesitei em conhecer por causa da sua narrativa: quando comecei a ler O Homem Duplicado, achei ruim a maneira dele escrever, só para depois de 10 páginas ser irremediavelmente conquistada.

Enfim, não sei explicar porque não consigo ler o livro de Margaret e me delicio com José. O que posso dizer é que com tantos livros sensacionais por ai, não existe motivo para continuar a ler algo que simplesmente não esta acendendo nenhuma nada em mim. Não é?

Vou me dedicar a ler aquilo que me dá prazer. :amor:

Livros e + livros

Posted on 14/04/2010 by in Livros

Terminei de ler The Girl with the Dragon Tattoo, de Stieg Larsson e confesso que gostei. Bastante. Com muito mais recheio que o filme e um final que me deixou super curiosa para saber o que vai acontecer no próximo livro, que eu ia comprar, mas acho que vou tentar pegar na biblioteca. Aliás, eu já falei como funciona a biblioteca aqui em LA? Uma maravilha de serviço! Depois de você fazer seu cartão, pode logar no site da bibliteca, selecionar os livros que deseja ler, reservar e caso a sua biblioteca local não tenha os livros que você selecionou, eles enviam de outra e ligam para avisar quando os livros estão disponíveis. É mole? Serviço 5 estrelas e por causa disso eu diminui bastante o número de livros que compro. ;)

Outro livro que li em poucos dias foi Twelve, de Nick McDonell. Ai. Horrível. Escrito pelo autor quando ele tinha 17 anos (e acredite, dá para perceber), conta como os riquinhos de NYC vivem uma vidinha vazia e regada a drogas e sexo. Gossip Girl anyone? Não é original, já que Less Than Zero de Bret Easton Ellis nos apresentou a vida dos pobres jovens ricos em 1985; não é super bem escrito; os personagens parecem uma só massa sem distinção e eu tive a impressão de que quando o autor se cansou, resolveu matar todo mundo com uma arma comprada em Chinatown. Okay. Não recomendo nem para ler na praia. Se quiser algo do gênero, vá as raizes e leia Abaixo de Zero.

Estou lendo Pirates Latitudes, que esta me divertindo muito. Michael Crichton, o autor, sempre consegue divertir seus leitores.

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Simone e Sartre

Posted on 18/03/2010 by in Livros

Eu tento ficar imune as fofocas e intrigas que perseguem a gente em todos os lugares: na fila do supermercado as revista de fofocas nos stands ao lado da caixa; na sala de espera do médico/dentista/cabelereiro; nos outdoors eletrônicos que poluem a cidade; nos sites de notícia sérios, enfim, é preciso disciplina para escapar a tanta fofoca, tanto dis-que-me-disse que não adiciona nada a nossa vida. Por esse motivo, biografias de gente famosa onde a roupa suja é lavada em público não estão no topo da minha lista. Mas eu gosto de Simone de Beauvoir, li todos seus jornais, seus livros de não ficção e por isso segui o conselho de uma conhecida e peguei Tête-à-tête, de Hazel Rowley, onde o “relacionamento amoroso” de Simone e Sartre e seus casos, amantes e flertes esta escancarado.

Beauvoir, Sartre e Che Guevara 1960/Cuba

De Sarte conheço só o superficial, li A Náusea quando tinha 14 anos, não me tocou, talvez porque eu era muito jovem, mas pode ser que o tópico não tinha nada a ver comigo, já que li On the Road, de Jack Kerouac e As Portas da Percepção, de Aldous Huxley também aos 14 e ambos livros me afetaram profundamente. ;-) Minha “curiosidade” era sobre Simone, a mulher que tanto despertou minha admiração enquanto eu lia todos os seus jornais.

Existe um motivo pelo qual eu não me importo pela vida pessoal de pessoas famosas, escritores, diretores, artistas em geral e o motivo é que de perto somos todos imperfeitos e isso parece ainda mais evidente quando testemunhados atitudes mesquinhas em grandes personalidades.

Ainda não terminei o livro, mas confesso que parte da minha admiração por Simone, a mulher independente, foi por água abaixo. Ela é chata, manipuladora e ao mesmo tempo se deixou manipular por Sartre e esta claro que sua “independência” nada mais era do que a única maneira que achou de se “adequar” a vida dele. O livro tem o sabor de As Ligações Perigosas, de Choderlos De Laclos, uma obra sensacional e que eu recomendo.

Talvez O Segundo Sexo tenha sido o produto desta situação a qual ela aceitou viver com Sartre, já que fica claro que ela esta plenamente consciente do que se passa entre eles, o que ao meu ver é ainda mais desconcertante.

Se eu já não era fã de Sartre antes, posso dizer que este livro não me fez simpatizar com o sujeito: um feioso que precisava conquistar mulheres, uma atrás da outra, só para larga-las logo em seguida, principalmente se a conquista era fácil, obviamente para substituir a rejeição que sentiu quando sua mãe se casou novamente. :roll:

Apesar de ser um livro bem escrito, bem pesquisado e que não julga seus personagens (eu não consigo ser tão neutra), eu não recomendo, a não ser que os pormenores sórdidos sobre viva de personalidades lhe agrade.

Tenda dos Milagres

Posted on 04/01/2010 by in Livros

Terminei de ler “Tenda do Milagres” de Jorge Amado. Sensacional! Além de divertido, inteligente, super bem escrito (é quase ridícula dizer isso né? ai que vergonha!), faz a gente refletir sobre temas importantes que são pertinentes ainda em hoje em dia. Só mesmo um mestre para conseguir amassar tanta coisa e desta mistura sair algo fenomenal.Viva Jorge! Viva!

Confesso que durante muito tempo relutei em ler Jorge Amado (acho que não queria trair Nelson Rodrigues, haha). Mas quem me venceu foi “Gabriela” e fui fisgada. Hoje coloco ele entre um dos melhores escritores brasileiros de todos os tempos. Quem sabe até um dos melhores escritores, ponto. Ele esta lá no topo com Dostô, com certeza. :-D Lendo o livro eu fui transportada para a Bahia e me peguei diversas vezes ouvindo os personagens falando com aquele sotaque delicioso. Fui tão tocada que comprei “O Sumiço da Santa” para uma amiga. Em inglês infelizmente, não sei se a tradução vai fazer jus a beleza de Jorge.

Toda vez que experimento algo extraordinário feito por um brasileiro, sinto um orgulho encher minha alma e uma vontade de gritar aos quatro ventos “sou brasileira sim, com muito orgulho”. O que é isso meu deus? Estará a saudade me transformando em uma super nacionalista?

Em contrapartida, também terminei de ler “O Simbolo Perdido” de Dan Brown. Que contraste. Bobinho, shallow e pointless. No ato de coloca-lo na estante me peguei pensando no que ele tinha me adicionado. O mesmo que um passeio numa montanha-russa. Na próxima semana eu já terei esquecido totalmente.

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Gomorra

Posted on 21/12/2009 by in Livros

Depois de ver o filme, minha mãe me trouxe o livro, em português. Para quem não sabe, Gomorra é o livro de estréia de Roberto Saviano, onde ele relata as ramificações da Camorra, a máfia napolitana. O livro virou filme, que foi o vencedor Grand Prix em Cannes 2008 e hoje em dia o autor vive escondido, pois esta jurado de morte.

Eu gostei do filme e achei que ia gostar ainda mais do livro, pois é sempre assim: livros são sempre 1.000 melhor que o filme. Mas estou desapontada. Apesar do livro tratar de um assunto sério e, de certa maneira, envolvente, pois queremos saber a profundeza do buraco que o coelho cavou (how deep does the rabbit hole goes?), o livro esta tremendamente mal escrito: ele é repetitivo, cansativo, difuso, massante… Nomes, apelidos, sobrenomes, clãs diversos que se ligam e enterligam e a gente se perde no meio de tanta confusão. Uma maçaroca. Nos primeiros capítulos achei que era culpa da tradução, mas já descartei essa hipótese. Faltou um bom editor… O discurso prolixo me desanimou e até pensei em parar de ler, mas terminei. Ufa!

O último capítulo, “Terra dos Fogos”, foi o que mais me impressionou: como as pessoas fazem absolutamente TUDO pelo lucro, até mesmo envenenam a terra onde vivem, de onde tiram o sustento, de onde lhes vem a água que bebem e o solo que pisam. Enojante. Quando ele descreve a tramitação dos “negociantes” sobre o lixo tóxico que esta sendo enviado a diferentes partes do mundo para ser “enterrado”, lembrei daquele caso do lixo inglês chegando no Brasil e senti um embrulho no estômago…

Voltando a Roberto Saviano, vale dizer que o site oficial traz notas e infos sobre ele e Napoli. A sessão de fotos já vale uma visita.

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