História dos Icones

Que viagem no tempo! Adorei este site que conta brevemente, e usando imagens, a história dos ícones. A lata de lixo do mac OS (que quando comecei a usar era flat), os folders isométricos que vieram depois, uau, que saudades…

Historia dos Icones

Twin Peaks (2017- )

O que dizer sobre Twin Peaks? Depois de 25 anos David Lynch e Mark Frost retomam a trama e, aparentemente, com total liberdade para fazer aquilo que sabem fazer de melhor: transportar a gente para um universo fantástico.

Fiquei protelando sobre o que escrever a respeito do retorno, e quanto mais eu penso mais me parece claro que para aproveitar Lynch você precisa estar aberto ao que ele quer lhe mostrar. É preciso deixar nossas idéias de como o plot de um show de TV deve se desenrolar de lado e simplesmente se deixar levar.

O 1º episódio foi o mais difícil para mim neste aspecto porque eu tinha me esquecido como Lynch é diferente, então senti uma certa resistência interior e disse “mas o que diabos esta acontecendo?“. Mas daí eu percebi que deveria simplesmente largar minha ideias pré-estabelecidas e deixar rolar.

Lynch mistura momentos bizarros com outros extremamente ordinários e isso faz toda a diferença, faz a gente de alguma maneira se sentir imerso na trama. Um exemplo disso é a cena onde Harry Dean Stanton esta no parque e vê mãe e filho brincando. O que aconteceu antes, a conversa que ele teve no carro, e o que acontece a seguir, aquilo foi ultra real e tocante.

Outra situação, esta um tanto bizarra e que pode parecer engraçada, mas na realidade muito triste, é “Dougie Jones” e como ninguém parece perceber a situação que ele se encontra. Senti ali um reflexo e uma certa crítica dos tempos em que vivemos.

Tudo faz sentido quando a gente pára de olhar somente na superfície, diferente de como acontece com a grande maioria dos shows onde tudo é mastigadinho e reduzido para a compreensão do telespectador.

Claro que eu não quero dizer que precisa ultra-analizar tudo ou que somente pessoas com um certo intelecto que vão conseguir entender ou apreciar Twin Peaks, longe disso.

Depois do episódio de semana retrasada “Gotta Light” eu acredito que para apreciar o que Lynch nos oferece é preciso um certo olhar e uma certa entrega. É apenas um programa de tv, mas oferece um pouco mais do que isso se você permitir.

Twin Peaks RR

Pode ser que eu esteja muito ligada a Twin Peaks e ao seriado original que marcou momentos da minha vida, e se for isso, bom, mesmo assim eu recomendo a série. Atores e elenco de cair o queixo, direção de arte, fotografia e trilha sonora fenomenal, e o mistério vai deixar você na beirada no assento.

Se você não assistiu a série original talvez sinta dificuldade em sacar o que esta rolando, então eu recomendo assistir o filme de David Lynch Fire Walk with Me, pois ele é a base para entender muitas coisas que estão acontecendo.

Para quem tem tempo e paciência, melhor assistir a série original, em seguida ao filme e depois começar por esta de 2017.

Um dos meus pet peeves…

… é como alguns trailer de tops movies from Hollywood são feitos. Já reparou como alguns filmes que parecem ser interessantes e misteriosos acabam revelando demais nos trailers? Veja esse, por exemplo:

Você reparou o TANTO de info que o trailer deu pra gente?

  • Lindo casal com premissa de possível romance;
  • Sozinhos na nave que ia levá-los numa longa viagem;
  • Acordam antes do tempo porque algo deu errado no seus pods;
  • Futuro com robôs quase humanos;
  • O romance floresce, mas algo dá errado na nave;
  • Chris Pratt, que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente no set de Parks & Recreation, vai investigar o problema, e vai correr grande risco;
  • A nave esta em perigo, o casal também, e outros pessoas vão aparecer na trama;
  • Chris tem algo a confessar para a linda Jennifer Lawrence.

Não é MUITA info para um simples trailer de 2 minutos? Parece basicamente o filme todo, resumido.

Por que não um trailer que me deixe curiosa, mostrando menos e fazendo minha cabeça funcionar? Tipo:

Este trailer não tem fala nenhuma dos atores e faz a gente questionar o que esta vendo:

  • São dois casais que se formam?
  • As mulheres tem um caso ou estão se beijando num jogo erótico?
  • Rola sadomasoquismo?
  • Alguém gosta de ser voyeur?

É o tipo de trailer que me deixa curiosa e não entrega NADA do plot.

Eu realmente não entendo como a cabeça de alguns executivos de Hollywood funciona. Será que acreditam que quanto mais mostrarem do plot, melhor? Que talvez o plot seja minimamente difícil (risos), então é melhor já deixar meio mastigado para a audiência bobalhona via trailer? Sabendo que TUDO em um filme passa por dezenas, ás vezes centenas de mãos e olhos antes de chegar ao público, eu não compreendo como TANTA gente vê um trailer assim e não fala nada. Ou falam e alguém do topo não dá a mínima? Sei lá viu…

/fim do meu pet peeve, que pode ser traduzido como bronca.

Nem tudo que reluz é ouro…

Ontem vi este artigo onde a atriz Gemma Arterton alerta que muitos atores estão sendo escolhidos para seus papéis não pelo talento, mérito ou trabalhos anteriores, mas pelo número de seguidores que possuem nas mídias sociais. Bom, isso com certeza explica a ascensão de Cara Delevingne, que como atriz é uma excelente modelo.

Obviamente, não estou surpresa. É só olhar o poder e ascensão social de pessoas com milhões de seguidores no Instagram, por exemplo, as Kardashians, para ver como essa idéia brotou na cabeça dos suits do showbiz…

O que me surpreende é ninguém questionar estes números. Preste atenção, a pessoa pode ter milhões de seguidores, mas o número de likes é sempre por volta de 1% para contas pequenas e médias e 10% para contas maiores. Existem excessões, sim, mas é isso que são: excessões. O resto, é across the board, você pode entrar em várias contas, a percentagem é sempre semelhante. Isso acontece porque as mídias socias estão super inchadas com:

1) Contas Inativas, a pessoa fez a conta, aceitou a sugestão de quem seguir que o app faz quando você loga pela 1ª vez (geralmente, as pessoas mais famosas da sua rede) e nunca mais voltou a logar;

2) Contas falsas. É notório o mercado paralelo de compra de seguidores, onde pessoas pagam para parecerem populares. Uma pessoa é dona de milhares de contas falsas e oferece esse serviço. E centenas de pessoas oferecem esses mesmo serviço, então imagine QUANTAS contas falsas existem para suprir a demanda de “popularidade”. No Twitter é fácil perceber, são contas geralmente com ovos no perfil e seguidas de número, por exemplo, patricia76542800. No Instagram são contas que seguem milhares de pessoas, tem pouco ou nenhum conteúdo e poucos seguidores.

É claro que celebridades não tem necessidade de pagar para ter seguidores falsos, mas as pessoas que vendem seguidores, para burlar o algoritmo e evitar serem banidas, seguem famosos e aleatórios para disfarçar. E isso acontece EM TODAS mídias sociais: Twitter, Facebook, Instagram, Vine, etc. Todas. Você pode comprar seguidores, comprar likes, comprar retwittes, comprar shares, enfim, tudo que uma conta real pode fazer, uma conta falsa pode fazer também, se você pagar.

Conta de uma pessoa muito famosa com seguidores falsos
Conta de uma pessoa muito famosa com seguidores falsos

Existem ferramentas que ajudam você a descobrir se seus seguidores são falsos, mas aos poucos essas ferramentas estão sumindo, pois os próprios sites não querem desvendar o quanto de seus usuários são fakes. Pense em como o FB celebra quando alcança um número extraordinário de usuários. Para eles é interessante que os anunciantes saibam que, via FB, eles potencialmente atingirão esse número fantástico de pessoas com seus anúncios. FB não vai falar “olha, temos 1,721,000,000 de usuários, incluindo as contas falsas, contas inativas, contas duplicadas, contas de pessoas que morreram, etc” para os anunciantes, não é mesmo? O mesmo ocorre no Twitter, Insta, etc. Contas falsas é um bom negócio para as mídias socias, pois elas indicam crescimento do serviço. E claro, não faz mal nenhum as pessoas famosas, que cobram para fazer merchant de acordo com o número de seguidores que possuem.

Tem que ser muito sonso para acreditar que a pessoa que tem 80 milhões de seguidores realmente alcança essas 80 milhões de contas. O Insta de Kim Kardashian, por exemplo, só chega na marca dos 10% de likes do seu total de seguidores quando posta videos. Poucas fotos do seu feed chegam a essa marca de 10% recentemente. Claro que é um reach imenso sim, 8-10 milhões de likes, mas pode ser que alguém com 40 milhões de seguidores, metade da Kim, tenha um reach exatamente igual ao dela ou maior, e mais “poder” real de influenciar, dependendo de onde e quem seja essa pessoa.

No Youtube, por exemplo, DisneyCollectorBR com 8 milhões de inscritos ganha quase o mesmo que PewDiePie com 47 milhões. Logo, DisneyCollectorBR, um canal mais novo, com menos vídeos, com pouco gasto de produção e maintenance das mídias socias (só tem YT e ponto) é, no final das contas, o canal que realmente esta se dando muito bem.

Gráfico de comparação entre DisneyCollectorBR e PewDiePie
Gráfico de comparação entre DisneyCollectorBR e PewDiePie

Claro que nem todas pessoas que seguem dão likes ou reshares, mesmo assim, vamos dar uma margem maior, mesmo que 15% se manifeste dando like ou reshare e 15% fique em silêncio porque não de participar, quem são esses outros 70% que entram mudos e saem calados?

O número de seguidores/inscritos não é necessariamente algo que pode, a primeira vista, ser usado como régua de sucesso. Tem muito coisa que entra neste angu.

Lembrem-se disso: em nenhum lugar a frase “nem tudo que reluz é ouro” é mais verdadeira do que nas mídias socias.

Movies galore

Recentemente assisti vários filmes que já estavam na minha listinha de “assistir“, e em alguns casos, foi uma agradável surpresa, e em outros, nem tanto.

The Nice Guys, com Ryan Gosling e Russel Crowe eu simplesmente adorei! Dois investigadores em Los Angeles dos anos 70 tentam desvendar o aparente suicídio de uma porn star. Totalmente minha praia, a química entre os dois é excelente, o script é casadinho, tudo funciona direito. Adorei e super recomendo.

the nice guys

Queen of Earth na minha opinião ficou na categoria meh. Duas amigas que cresceram juntas, mas que estão num relacionamento mútuo passivo-agressivo. Não é péssimo, mas não me moveu. Se não fosse a excelente atuação da sempre ótima Elisabeth Moss, acho que teria não gostado do filme.

Julieta, de Pedro Almodóvar, sobre uma mulher que decide confrontar seu passado e seu distanciamento com a filha, é bom sim, mas eu já tinha lido o livro de Alice Munro que ele usou como base, até mesmo já escrevi sobre o livro aqui, então isso quebrou um pouco o encantamento, mas o filme é muito bonito e eu recomendo com certeza.

julieta

The Neon Demon, de Nicolas Winding Refn, sobre uma modelo aspirante que esta cercada de belas e invejosas mulheres dispostas a tudo para ter “aquilo” que ela tem. Putz, sou fanzoca de NWR, mas esse filme realmente me fez revirar os olhos. É LINDO, lindo, parece aquele bolo que foi cuidadosamnte decorado e produzido e que só de olhar a gente começa a salivar. Mas infelizmente, na primeira mordida vem a desilusão: tanta beleza, e nenhuma substância. Vai ver é esse mesmo o ponto que ele quis fazer com o filme, mas ainda assim ficou faltando alguma coisa. Elle Fanning é uma gracinha, mas em nenhum momento consegui comprar que ela tinha uma beleza excepcional capaz de despertar a inveja de outras modelos. Vai ver ele quis fazer um comentário com isso também, ás vezes a modelo não é a mais bela e perfeita, apenas a percepção ditada por alguém faz todo mundo acreditar que ela seja. Em nenhum outro lugar isso é mais verdade do que no mundo da moda. Talvez ele tenha feito várias coisas de maneira proposital, mas como escrevi acima, ainda ficou faltando alguma coisa. Pela beleza, recomendo. Mas vá com baixas espectativas quanto a todo o resto.

the neon demon

E finalmente, Jason Bourne. E aqui tenho que dizer, WTF!! De todos que listei aqui, este com certeza é o pior. O script é risível, com umas falhas que hoje em dia não deveriam passar: sei que estou sendo procurada, e ao invés de usar peruca, boné e andar pelas sombra, marco um encontro no meio de um movimento ativista! E por que não falar o que tenho para falar quando vou encontrar JB, ao invés de ir lá dizer para ele me encontrar em tal lugar a tal hora? Gente! E quem pluga um USB drive num computador conectado a internet? Sério? Vários furos, vários, mas não vou listar todos aqui porque não quero dar spoiler. E Alicia Vikander com a mesma expressão o filme todo. Gente, seu personagem pode ser uma sociopata, mas você não é mais o robot de Ex Machina. Enfim, não recomendo esse filme nem se não tiver nada mais para assistir. É muito ruim, quase um insulto a nossa inteligência.

As verdades que ela não diz – Review

Hoje em dia se eu não gosto de alguma coisa, não perco meu tempo escrevendo sobre essa experiência, seja um filme, um livro, um restaurante… Quanto menos a coisa significa pra mim, menos ligo se foi bom ou ruim. Claro que ligar o whatever é um aprendizado e nem sempre 100% infalível, mas percebo que é a melhor maneira de me estressar menos.

Outra coisa que aprendi foi: se não esta bom, larga e parte pra outra coisa. Livro, filme, restaurante, taxi fedido, etc. Durante quase toda minha vida eu sentia obrigação de terminar o livro que tinha começado, por exemplo. Fazia um investimento emocional e ia até o fim, não importa se estava bom ou ruim. E pra que isso? Não faz sentindo nenhum se sacrificar assim. Finalmente caiu a ficha e comecei a abandonar livros que não me cativaram. No 1º capítulo, nos 50%, não importa, dei a chance, não rolou, ciao e próximo! Existem mais livros no mundo que eu quero ler do que tempo para lê-los, então a seleção tem que acontecer para que o tempo seja usado para a leitura que vai me trazer prazer ou conhecimento ou questionamento ou pura diversão.

Estava lendo As verdades que ela não diz, de Marcelo Rubens Paiva e infelizmente tive que usar a regra acima e parei de ler, ao mesmo tempo que vou contrariar a primeira regra descrita.

As verdades que ela não diz é um livro de contos sobre o universo feminino, mas que deixa muito a desejar. De início achei que o problema fosse se tratar de contos: curtos, sem tempo de profundidade, eles podem trabalhar contra o escritor. Mas daí lembrei de Fugitiva, de Alice Munro, que li ano retrasado e como este livro de contos sobre mulheres é maravilhoso. Sem dificuldade nenhuma consigo lembrar daquelas mulheres e suas vidas. Infelizmente não posso dizer o mesmo sobre as mulheres do Marcelo. Poderiam mesmo ser o mesmo fantasma de uma mulher em várias situações da vida, tão pouco sei do que são feitas.

As verdades que ela não diz

Sim, definitivamente o problema não é o formato, é o conteúdo. Nenhum daqueles personagens descritos por Marcelo tem dimensão. Li sobre seu cotidiano, mas não sobre o que estavam vivendo interiormente. E, oras bolas, esse não é um dos motivos de lermos, para podermos experimentar a vida pela visão de outro ser?

Quando os personagens são rasos, um livro não tem muita diferença de uma pessoa que eu sigo no Twitter ou Instagram: eu sei o que essas pessoas fazem e dizem, mas não sei sobre o que as motiva realmente.

Foi decepcionante, pois eu queria mergulhar neste universo feminino cheio de surpresas e reviravoltas que foi prometido na contra-capa do livro, mas aos 40% percebi que não tinha nada a ser ganho e parei de ler. É uma pena, pois eu respeito este escritor, mas não consigo investir meu tempo se não vejo retorno.

Talvez tenho sido um erro ler um livro assim logo depois da enxurrada emocional de Karl Ove Knausgård, mas enfim. Tentei. E se quiser ler um excelente livro de contos sobre mulheres, leia a Fugitiva de Alice Munro.

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