The Walking Dead – 7ª Temporada

Depois de uma longa pausa, finalmente estou em dia com The Walking Dead. E o que dizer desta última temporada? Bom, primeiro que não perdi nada neste longo break, pois o plot continua igual: tudo esta bem, daí algo ruim acontece, todos perdem a esperança, uns morrem, outros sobrevivem, a esperança volta e os caras ruins são derrotados. Rinse & repeat. Que fique claro, isso não é uma crítica ao TWD, porque eu assistia sim pelos personagens e para ver como eles lidam com as situações diversas que aparecem no caminho e esse plot vem com o território.

Apesar de não curtir o que fizeram no final da temporada 6, coloquei isso de lado e cheguei a achar que o aparecimento de Negan seria bom, uma quebrada na rotina do grupo com um adversário a altura, mas ai, como eu estava enganada…

O ator que esta fazendo o papel de Negan é ótimo e eu consigo imaginar como seria melhor ainda se ele tivesse material a altura da sua capacidade de interpretação, mas o personagem em si é horrível. E não porque ele é o vilão: os vilões são mais interessantes do que os heróis, e quando bem escritos conseguem até levar a gente para o lado deles.

The Walking Dead - 7ª Temporada

Negan é terrível de uma maneira não real, cartoony. Primeiro que o cara deve morrer de dor nas costas de tanto se inclinar para trás e. falar. tudo. com. uma. pausa. para. dar. mais. efeito. LOL. É um tanto irritante se você esta assistindo com o som original. Segundo o cara vive falando que “olha, não somos caras maus quando você nos conhece melhor“, mas ainda não vi nada que provasse o contrário, e reza a lenda tanto na literatura quanto na TV que “mostrar, não falar” vale mais do que um personagem ficar repetindo que ele é assim ou assado infinitamente. Terceiro, o cara é um papudo, um chato. Quem tolera ele fazendo aqueles discursos super longos? Negan é bom quando faz piadas curtas. Passou disso, dá vontade de colocar no mute. E ainda me fez rir quando ele disse que não tolera estupradores, mas não tem problema nenhum em colocar uma situação entre a vida e a morte de uma pessoa querida onde a mulher obviamente vai escolher virar “esposa” para salvar o parente/marido. É aquele tipo de acordo em que só um lado tem a ganhar, basicamente, fazendo dele um hipócrita.

Na minha opinião vilão bom é aquele que não é um monstro, mas sim humano como todos nós. Apesar de existir pessoas terríveis no mundo, ninguém é só ruim ou só bom. Nós humanos vivemos entre esses dois pólos. Até mesmo serial killers mostram outro lado da sua personalidade, uns são extremamente simpáticos e charmosos e conseguem enganar todos ao seu redor, outros são pais de família, etc. Negan seria mais interessante se ele mostrasse outras facetas ao invés de ser apenas a rasa fantasia adolescente de como um homem alpha maldoso deve ser e agir.

E na boa, quem em sã consciência teria coragem de se juntar a um sujeito assim? Estar no mesmo grupo deste cara seria como andar ao lado de uma bomba relógio.

The Walking Dead - 7ª Temporada

Deixando Negan de lado, que esta bem protegido pela sua armadura de script e com certeza não vai morrer de morte bem morrida tão cedo, ver personagens queridos fazendo bobagem repetidamente é outro grande balde de água fria. Quantas vezes já vimos pessoas deste grupo tomando decisões que colocam em risco todo mundo? Pois é… já perdi as contas. Rick e Carol parecem ser os únicos que pensam um pouco nas consequências das ações que tomam, e mesmo eles fazem coisas que me deixam de boca aberta. Uns dizem que é compreensível que personagens em situações de risco façam bobabem, mas isso é pura preguiça de escritor que decide pegar o caminho mais fácil para criar drama. Esses personagens passaram por tanta coisa que é intolerável ve-los tomando atitudes imbecis.

Isso dos personagens fazerem coisas que nenhum ser humano com 2 neuronios fariam é um dos motivos que me levou a parar de assistir TWD. O outro motivo são os truques baratos destes mesmos escritores que parecem estar zombando da cara da gente.

A ver que a 7ª temporada teve uma audiência muito baixa se comparada as outras eu vejo que não sou a única a esta cansada dos truques baratos de escritores sacanas, crueldade excessiva e script repleto de enchimento. E bota episódio de enchimento nisso…

É ruim ver uma série que eu simplesmente adorava decair deste jeito, e TWD sempre foi um tipo de fuga: pensar no que eu faria se estivesse naquele grupo, como eu agiria e tal. Espero que a 8ª temporada seja melhor e consigo recuperar um pouco da sua glória, mas mesmo assim não vou apostar que isso vá acontecer já que existem milhares de pessoas que estão contentes e até gostam da série estar se tornado gore porn.

Cinema ou TV?

Em 2013 eu li Difficult Men: Behind the Scenes of a Creative Revolution: From The Sopranos and The Wire to Mad Men and Breaking Bad, um livro que revela como alguns shows de TV ajudaram a televisão a cabo a emergir como forma de arte no século XXI.

O livro é muito bom e, entre outras coisas, explica como o domínio do cinema é do diretor, enquanto na TV quem tende a comandar é o escritor. Pense nos seriados The Wire, The Sopranos, Mad Men e The Shield, na qualidade do script e em como esses shows pavimentaram o caminho para shows mais recentes com qualidade 10: True Detective, Westworld, House of Cards, Stranger Things só para citar os que me vieram a mente neste minuto.

Enquanto vemos mais e mais seriados excelentes no Netflix, Hulu e HBO, Showtime, o que esta acontecendo no cinema? Os grandes diretores com orçamento pré-aprovado continuam produzindo excelentes filmes, mas de maneira geral estamos sendo assolados por filmes a) de péssima qualidade criativa ou b) de super heróis.

Sim, eu assisti Wonder Woman e gostei muito, mas só de olhar os summer blockbuster e não ver nada que me dê vontade de ir o cinema é uma tristeza. Sou uma criatura do cinema, durante toda minha vida me acostumei a ir pelo menos 1 vez por semana e agora não ter vontade nem curiosidade em checar um novo filme é muito, muito triste.

Assisti vários filmes nestes últimos meses que me deixaram sem reação: Sully (meh), Deepwater Horizon (meh), A Cure for Wellness (tanto potencial, bela fotografia, mas script que derrapou do meio para o fim e não se recuperou), The Mummy (muito ruim), Life (ruim prá xuxu), Ghost in the Shell (bonito e só), The Accountant (péssimo), The Girl on the Train (péssimo), Assassin’s Creed (meh) e a lista goes on and on de filmes que vão de passáveis a péssimos, filmes com gente de calibre, tanto na direção quanto nos papéis principais e fico me perguntando o que foi que deu errado para produzirem um filme de qualidade tão questionável.

Sim, eu sei que o mercado cinematográfico visa o lucro puro e simples. Cinema é investimento: te dou U$100 milhões para fazer um filme, quero que ele retorne pelo menos U$400 milhões. Conseguir investimento para alguma coisa fora do normal, só se você fizer parte do grupo seleto de diretores com crédito pré-aprovado (aqueles de renome que ninguém ousa contradizer porque os caras já provaram que sabem o que estão fazendo). Maesmo assim, ver filmes que tem tudo para dar certo e mesmo assim, acabam sendo uma pilha de lixo, putz, é bizarro.

Claro que ainda aparece um ou outro filme que surpreende positivamente: Get Out (muito bom e engraçado), Arrival (uma bela surpresa), Elle (sensacional, um dos melhores filmes que vi nestes últimos tempos) e Personal Shopper (atmosférico, diferente, me fez pensar bastante) são os que lembro de imediato.

Felizmente cada vez mais temos qualidade nas séries de TV, que podem ser desenvolvidas por vários episódios dando profundidade aos personagem, além da liberdade criativa -pelo menos nas plataformas que citei- de produzir algo que sai do caminho batido que conhecemos.

Enfim, espero que a qualidade dos filmes consiga se recuperar, mesmo que eu seja testemunha do declínio que já vem acontecendo a alguns anos. Pelo menos posso dizer que estou feliz com a qualidade das séries de TV que estão sendo produzidas a cada ano que passa.

A Man in Love, Karl Ove Knausgård

Terminei o 2º volume de Min kamp, A Man in Love, de Karl Ove Knausgård. O 1º volume me acertou em cheio, eu adorei, mas este foi mais complicado para mim…

Neste, como o título já deixa claro, ele retrata sua vida a partir do momento em que deixa a sua primeira esposa, a sua necessidade de “fugir”, a mudança e adaptação em Estocolmo e a paixão por sua esposa atual, Linda.

A Man in Love, Karl Ove Knausgård

Neste volume ele entra em detalhes da vida do casal: como se sente ao virar pai e as dificuldades de criar filhos, o desejo intenso de escrever, a amizades com outros escritores, em particular seu amigo Geir, etc.

Igual ao 1º volume, ele fala do íntimo de uma maneira quase universal e eu acho isso sensacional. Eu duvido muito que uma pessoa ao ler este livro, ou algum desta série, não tenha passado por situações ou sentimentos similares. Isso que ele sabe fazer tão bem, as questões, as angustias, os desejos que nos parecem tão únicos, tão pessoais “ninguém entendo porque não passaram por isso” são na realidade banais, outras milhares de pessoas já sentiram ou passaram por algo similar. A única coisa que faz a sua situação especial é que ela é sua.

A narrativa de Karl Ove é cativante como no 1º volume, parece que estou conversando com um amigo, o ouvindo relatar seu dia, suas angustias, sua vida. O problema é que eu tolero muito pouco os problemas relacionados a amor, casamento, viva conjugal. Eu já passei por isso, já tive minha cota de relacionamentos e ouvir sobre o dos outros é bem broxante. Não leio romance por esse motivo.

Não sou o tipo de pessoa que quer saber quem esta namorando quem, como esta o relacionamento de fulano ou sicrano ou se alguém esta traindo, isso não me importa, então um bom pedaço deste livro foi um tanto quanto aborrecido para o meu gosto. Não ajuda nada que o relacionamento deles me pareça um pouco disfuncional.

Tirando meu desgosto por esse pedaços, o resto do livro em que ele trata da vida, da mudança, da adaptação a nova cidade, os relacionamentos interpessoais e até mesmo da criação das crianças, é muito bom, tocante.

Super recomendo a leitura, principalmente se você leu o 1º volume. Eu vou continuar com os outros volumes, mas não agora. Este é o tipo de livro que faz a gente pensar, então vou dar um espaço de tempo até pegar o 3º volume.

O Círculo (The Circle – 2017)

Semana passada assisti O Círculo, com Emma Watson, Tom Hanks, Patton Oswalt, John Boyega, Bill Paxton (RIP) e Karen Gillan. A trama gira em torno de Mae (Emma Watson) que vai trabalhar na gigante firme tecnológica Circle e aos poucos vamos descobrindo junto com ela qual é a real agenda que a empresa quer empurrar para todos.

O Círculo (The Circle - 2017)

Eu achei o filme razoável. Não é sensacional na categoria thriller, porque em nenhum momento eu fiquei na beira do assento, mas como drama ele se encaixa bem. A trama é okay, e na minha opinião poderia ter sido mais bem aproveitado, mas o problema que eu senti é que o filme saiu flat, sem alma, os personagens tem pouca profundidade e eu me vi ligando muito pouco para o que ia acontecer. Igualzinho quando entro no Instagram ou Facebook… Há-há!

É claro que o filme faz um comentário social sobre as mídias sociais e como elas podem ser usadas até o extremo, e mesmo que uma idéia seja boa “no papel” não quer dizer que nós sapiens estamos aptos a fazer o melhor uso de tal tecnologia. O mais bizarro é ver, mesmo na ficção, o quanto as pessoas estão dispostas a dividir online. Sim, eu percebo que estou dividindo minha opinião num blog na internet, mas vamos lá, até os dados médicos? Imagine toda sua vida, em detalhes, caindo nas mãos erradas? Muito assustador e creepy

Talvez o filme tenha mesmo esse “acabamento” sem alma e raso propositalmente, pois é assim como as mídias sociais de hoje em dia, e neste aspecto o diretor com certeza atingiu seu objetivo, porém com um pouco de exagero já que acaba por afastar o telespectador. Ou pelo menos eu.

Enfim, o filme não é péssimo, mas mesmo assim não recomendo caso tenha outra opção, mas se não tiver, não vai ser a pior experiência da sua vida.

Twin Peaks (2017- )

O que dizer sobre Twin Peaks? Depois de 25 anos David Lynch e Mark Frost retomam a trama e, aparentemente, com total liberdade para fazer aquilo que sabem fazer de melhor: transportar a gente para um universo fantástico.

Fiquei protelando sobre o que escrever a respeito do retorno, e quanto mais eu penso mais me parece claro que para aproveitar Lynch você precisa estar aberto ao que ele quer lhe mostrar. É preciso deixar nossas idéias de como o plot de um show de TV deve se desenrolar de lado e simplesmente se deixar levar.

O 1º episódio foi o mais difícil para mim neste aspecto porque eu tinha me esquecido como Lynch é diferente, então senti uma certa resistência interior e disse “mas o que diabos esta acontecendo?“. Mas daí eu percebi que deveria simplesmente largar minha ideias pré-estabelecidas e deixar rolar.

Lynch mistura momentos bizarros com outros extremamente ordinários e isso faz toda a diferença, faz a gente de alguma maneira se sentir imerso na trama. Um exemplo disso é a cena onde Harry Dean Stanton esta no parque e vê mãe e filho brincando. O que aconteceu antes, a conversa que ele teve no carro, e o que acontece a seguir, aquilo foi ultra real e tocante.

Outra situação, esta um tanto bizarra e que pode parecer engraçada, mas na realidade muito triste, é “Dougie Jones” e como ninguém parece perceber a situação que ele se encontra. Senti ali um reflexo e uma certa crítica dos tempos em que vivemos.

Tudo faz sentido quando a gente pára de olhar somente na superfície, diferente de como acontece com a grande maioria dos shows onde tudo é mastigadinho e reduzido para a compreensão do telespectador.

Claro que eu não quero dizer que precisa ultra-analizar tudo ou que somente pessoas com um certo intelecto que vão conseguir entender ou apreciar Twin Peaks, longe disso.

Depois do episódio de semana retrasada “Gotta Light” eu acredito que para apreciar o que Lynch nos oferece é preciso um certo olhar e uma certa entrega. É apenas um programa de tv, mas oferece um pouco mais do que isso se você permitir.

Twin Peaks RR

Pode ser que eu esteja muito ligada a Twin Peaks e ao seriado original que marcou momentos da minha vida, e se for isso, bom, mesmo assim eu recomendo a série. Atores e elenco de cair o queixo, direção de arte, fotografia e trilha sonora fenomenal, e o mistério vai deixar você na beirada no assento.

Se você não assistiu a série original talvez sinta dificuldade em sacar o que esta rolando, então eu recomendo assistir o filme de David Lynch Fire Walk with Me, pois ele é a base para entender muitas coisas que estão acontecendo.

Para quem tem tempo e paciência, melhor assistir a série original, em seguida ao filme e depois começar por esta de 2017.