Ressaca política

Estou de ressaca política. Não aguento mais as pessoas falando de política como se estivessem falando de futebol ou BBB. Na boa, já deu. Ponderei em escrever sobre isso, mas não consegui segurar: estou de saco cheio.

Mas entenda, não estou de saco cheio de política. Sim, what a fucking mess, mas na minha opinião política deveria ser ensinada na escola, já que temos que conviver com as consequências dela, quer você queira, quer não. É importante saber o que os governantes fazem, como votam, quais medidas querem passar, como estão representando nossos interessantes e se ESTÃO de fato nos representando.

E claro, estamos vivendo um momento importantíssimo. Todo esse interesse sobre política nestes últimos tempos é o que de mais saudável aconteceu na última década no Brasil, mas agora precisamos melhorar a qualidade do debate.

Vejo muitos que não passam da manchete e já se acham aptos a dar seminário sobre o assunto. Política, como quase tudo na vida, é um tópico cheio de nuances. É preciso ir além da manchete sensacionalista e ás vezes ir atrás das lacunas que a matéria, por baixa qualidade ou interesse pessoal, deixou vazia. É aquele lance de olhar a imagem toda, não focar simplesmente num canto.

Facebook parece ser o refúgio dos novos “cientistas políticos” sabichões. Textão (quase sempre com erros gramaticais) onde o/a autor(a) vomita toda sua rasa retórica. Não existe nada mais brochante do que descobrir que aquela pessoa que você achava interessante 1) não sabe escrever e 2) não sabe do que esta falando. É aquele banho de água fria do qual raramente consigo me recuperar. Felizmente eu DETESTO fb e posso passar meses sem entrar, o que minimiza as decepções. Mesmo assim o discurso pobre acaba vazando para o Twitter e outras mídias sociais, para engrossar o coro dos boçais locais, claro.

Ressaca política

E é exatemente disso que estou de saco cheio: argumentos vazios, falta de informação ou informação torta ou errada ou mentirosa, gente se atacando gratuitamente, uma certa negação da reflexão. Hoje em dia é tudo a toque de caixa, mas é preciso um pouco de tempo para ponderar as ramificações quando tratamos de assuntos que tocam a TODOS os brasileiros, sem exceção.

Política não é fácil, eu gosto do tópico e leio com frequência. Sou uma pessoa bem informada, e me considero inteligente. Mesmo assim em vários momentos eu não me sinto informada o suficiente para emitir um parecer. Posso dar a minha opinião, mas friso que é só isso, minha opinião. Pode estar certa, pode estar errada. Posso, ao saber de detalhes que antes eram desconhecidos, mudar meu ponto de vista.

E taí outro problema, além de argumentos superficiais, muita gente esta engessada na sua “posição”. A situação é dinâmica, mas tem gente que não arreda pé. Cimentados, congelados. Múmias?

Isso me lembra aquele tidbit que aconteceu entre um cientista ateísta e um religioso, onde o cientista perguntou ao religioso se diante de provas de que não existe deus ele acreditaria, ao que o religioso disse que mesmo com provas ele continuaria acreditando em deus, e perguntou ao cientista se ele tivesse provas da existência de deus, se ele acreditaria, e o cientista ateu respondeu “se as provas forem irrefutáveis, eu admito estar errado.”

É este fervor cego que paralisa e empobrece o diálogo, e que na minha opinião não tem lugar em assuntos sérios. Falta aquela humildade que faz de nós eternos estudantes e sobra a soberba de quem acha que tudo sabe. Ou como já disse alguém mais inteligente:

O problema fundamental é que no mundo moderno os estúpidos são convencidos, enquanto os inteligentes estão cheios de dúvida.
– Bertrand Russell