Pensar dá trabalho…

Recentemente comecei a ler The Rape of Nanking, de Iris Chang, sobre o massacre de Nanquim (ou comulmente chamado de Estupro de Nanquim). O livro fala sobre o -suposto?- massacre cometido pelo exército imperial japones quando entraram na então capital da República da China, Nanking, que resultou, de acordo com o livro e alguns pesquisadores, na morte de cerca de 300.000 civis. Porém existem pessoas que acreditam que o número esteja entre 100.000 e 200.000, incluindo combatentes. Mas o número de mortes não é o único tópico de disacordo: a duração da invação assim como os atos cruéis praticados também dividem muitos. Muitos japoneses e alguns historiadores chegam a afirmar que o massacre nunca aconteceu.

Eu ainda não terminei de ler o livro e confesso que não sei se vou terminar, pois Iris Chang se deixou levar emocionalmente pelo tópico, que tingiu fortemente seu texto. Isso não é uma recriminaçao, já que ela é filha de chineses e este caso lhe tocou pessoalmente, mas a maneira tendenciosa como escreveu o livro acaba prejudicando quem, como eu, gostaria de saber o que realmente aconteceu. Eu acredito que independente dos números, se 300.000 ou 100.000, na minha opinião um número maior não dá mais credibilidade nem mais importância, violência é violência, seja praticada contra um único indivídio ou contra 300.000, logo se a ocupação foi realmente tão selvagem como ela e tantos outros descrevem, o Japão deveria ter colocado isso em pratos limpos ao invés de negar que aconteceu.

Quando se trata de não-ficção, eu gosto de ver ambos os lados da história para poder, baseada em fatos, tirar minhas próprias conclusões, mas neste caso estou pendendo a acreditar que o massacre aconteceu sim, mesmo que o número não seja de 300.000. É sabido que em tempos de guerra o estupro, a degradação e assassinatos em massa são armas usadas para desmolarizar o inimigo, e o exército japones vindo da dura e sangrenta batalha de Xangai talvez desejasse vingança. E não há como esquecer o escandalo das “Mulheres de Conforto”, que muitas vezes eram raptadas para fazer parte de bordéis que serviam ao exercíto japonês, o que indica no mínimo uma prática bem troglodita.

Passei algumas horas semana passada lendo sobre o assunto, mas não achei nada que pudesse ser definitivo, beyond a reasonable doubt. Mas eu não sou expert e não manjo nada do assunto, logo minha opinião não tem peso nenhum, só vale para eu mesma. Enfim, de qualquer ângulo que eu olhe este capítulo da história, é muito triste. Algumas infos sobre o massacre aqui, sobre o revisionismo aqui, e aqui sobre as mulheres de conforto.

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