Super cri-cri

Estou doente. Dor de garganta, nariz “entubido” e aquela sensação de mal estar. Saco!

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Preciso de férias. Quero ir ao Brasil, ver meus amigos, meu papagaio que não mais me reconhece, minha mãezinha, minha casa, minhas coisas, comer comida boa e fresquinha, ouvir as pessoas falando português, ver TV, reclamar da programação, fazer unha na minha manicure nota dez, visitar meu dentista, meus médicos, pegar metrô, ir nos sebos do Centrão, tomar uma Malzibier num barzinho de bairro, viajar para o interior, para o Rio, para a Bahia, para o Sul, jogar conversa fora e viver, mesmo que por algumas poucas semanas, como se este país não existisse.

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Quando me deparo com as atrocidades, escândalos e injustiças nos notíciarios americanos, sinto uma raiva fenomenal pelo povo daqui. Minha vontade é sair na rua e gritar com as pessoas, sacudí-las, acordá-las e mostrar o jornal, perguntar se não estão vendo o que esta acontecendo. Eu não entendo, não concordo e não tenho como justificar essa sensação bizarra que sinto. Me controlo, respiro fundo, conto até 20 e continuo meu dia. O mais estranho é que eu nunca senti isso no Brasil. Nunca tive vontade de sacudir as pessoas como se tivesse que despertá-las para o que esta se passando. Não sei se a natureza dos brasileiros, naturalmente crítica, aliada a baixa-estima (ou como diria Nelson Rodrigues, somos o Narciso ás avessas, cuspindo no nosso reflexo) que não deixa escapar NADA, estamos sempre a reclamar do governo, do prefeito, do time de futebol, das barbaridades da vida cotidiana, enfim, conscientes do que nos cerca. Se nada muda, se não passa de falatório sem fim, isso ai já são outros 500, mas o fato é que estamos acordados.

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É, preciso mesmo de umas féria.

4 thoughts on “Super cri-cri

  1. Patricia, você parece estar passando por aquela fase de imigrante, quando se esquece das mazelas do país de origem e fica achando que lá é que é o paraiso. Embora visitar e passear não seja a mesma coisa que viver o dia a dia, talvez uns bons meses no Brasil te façam realmente bem. 😉

    bjo!

    1. Ah amiga, não acho o Brasil “o paraíso tropical” não. Já tive indas e vindas o suficiente para não me iludir. O que acontece é que minha ilusão de america, land of opportunity, acabou. Daí fica difícil aturar… Este triângulo é como se america fosse meu marido, marido não é parente, já Brasil, Brasil é família, sangue, mesmo detestando, a gente tá lá, defendendo. Beijinho. 🙂

  2. Não, Patricia, é o contrário: o que importa é se as coisas mudam, ou ao menos se têm chance de mudar.

    Se estamos acordados e conscientes e, ainda assim, nada muda, é porque provavelmente todo mundo está de acordo com as barbaridades que os cercam.

    1. Rafa, este país esta em DENIAL. Não tem como ler o news e não perceber que todo mundo esta correndo pra lá e pra cá como galinha sem cabeça. Mudança pode até rolar, mas para pior. Veja só esse movimento dos teabaggers, ai desculpa, tea party, que elegeu ontem o babaca Rand Paul. Ou Sarah Fucking Palin! Estamos entre doidos e os doidos de pedra! :mrgreen: Ai, don’t get me started please. 😉

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