Simone e Sartre

Eu tento ficar imune as fofocas e intrigas que perseguem a gente em todos os lugares: na fila do supermercado as revista de fofocas nos stands ao lado da caixa; na sala de espera do médico/dentista/cabelereiro; nos outdoors eletrônicos que poluem a cidade; nos sites de notícia sérios, enfim, é preciso disciplina para escapar a tanta fofoca, tanto dis-que-me-disse que não adiciona nada a nossa vida. Por esse motivo, biografias de gente famosa onde a roupa suja é lavada em público não estão no topo da minha lista. Mas eu gosto de Simone de Beauvoir, li todos seus jornais, seus livros de não ficção e por isso segui o conselho de uma conhecida e peguei Tête-à-tête, de Hazel Rowley, onde o “relacionamento amoroso” de Simone e Sartre e seus casos, amantes e flertes esta escancarado.

Beauvoir, Sartre e Che Guevara 1960/Cuba

De Sarte conheço só o superficial, li A Náusea quando tinha 14 anos, não me tocou, talvez porque eu era muito jovem, mas pode ser que o tópico não tinha nada a ver comigo, já que li On the Road, de Jack Kerouac e As Portas da Percepção, de Aldous Huxley também aos 14 e ambos livros me afetaram profundamente. 😉 Minha “curiosidade” era sobre Simone, a mulher que tanto despertou minha admiração enquanto eu lia todos os seus jornais.

Existe um motivo pelo qual eu não me importo pela vida pessoal de pessoas famosas, escritores, diretores, artistas em geral e o motivo é que de perto somos todos imperfeitos e isso parece ainda mais evidente quando testemunhados atitudes mesquinhas em grandes personalidades.

Ainda não terminei o livro, mas confesso que parte da minha admiração por Simone, a mulher independente, foi por água abaixo. Ela é chata, manipuladora e ao mesmo tempo se deixou manipular por Sartre e esta claro que sua “independência” nada mais era do que a única maneira que achou de se “adequar” a vida dele. O livro tem o sabor de As Ligações Perigosas, de Choderlos De Laclos, uma obra sensacional e que eu recomendo.

Talvez O Segundo Sexo tenha sido o produto desta situação a qual ela aceitou viver com Sartre, já que fica claro que ela esta plenamente consciente do que se passa entre eles, o que ao meu ver é ainda mais desconcertante.

Se eu já não era fã de Sartre antes, posso dizer que este livro não me fez simpatizar com o sujeito: um feioso que precisava conquistar mulheres, uma atrás da outra, só para larga-las logo em seguida, principalmente se a conquista era fácil, obviamente para substituir a rejeição que sentiu quando sua mãe se casou novamente. 🙄

Apesar de ser um livro bem escrito, bem pesquisado e que não julga seus personagens (eu não consigo ser tão neutra), eu não recomendo, a não ser que os pormenores sórdidos sobre viva de personalidades lhe agrade.

One thought on “Simone e Sartre

  1. não gosto da fofoca gratuita também, mas gosto das histórinhas de bastidores, da excentricidade, da originalidade…

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