Pequenas Diferenças…

Recentemente fui a um jantar com conhecidos, um grupo grande com uma mistura de brasileiros e americanos onde eu conhecia apenas um punhado de pessoas. Eu confesso que não sou fã de saídas em grupos, sempre tenho a impressão de que as conversam ficam como óleo na água, por cima. Sou muito mais o tête-a-tête ou um pequeno grupo, onde é possível conversar mais intimamente.

Bem, o jantar correu normalmente, sem maiores emoções, mas na hora da sobremesa aconteceu o que eu mais detesto nestes “eventos”: a esposa de um rapaz que não conheço, ambos americanos, veio se sentar perto de mim e daí começou o que eu chamo de “entrevista”. Ela me olhava com um sorriso, mas tinha um olhar que não refletia o sorriso, e disparou dezenas de perguntas: onde moro, estado civil, de onde eu sou, meu emprego, onde é meu trabalho, onde vivi antes, o que fazia, como vim parar em LA, porque, bla-bla-bla. No meio do interrogatório eu percebi que estava dando respostas secas e sendo deselegante, já que eu me recuso em retornar a pergunta “mas e você, onde mora?”. Who fucking cares? Eu detesto esta mania das pessoas, americanos principalmente, de querer saber tudo sobre você em 10 minutos de conversa com perguntas que geralmente querem rotulá-lo isso ou aquilo. Pelo bairro e emprego, eles imaginam sua classe social, estado civil e nacionalidade, suas intenções. É como uma entrevista de emprego, onde se você der dar respostas certas, vai ser contratado, do contrário vai para a geladeira. Terminado o questionário, ela levantou e foi “entrevistar” outra pessoa.

Minutos depois um brasileiro que estava sentado a minha frente olhou para a mulher que tinha me entrevistado, olhou para mim e disse “se ela vier aqui fazer a mesma coisa, eu vou fugir”. Rimos e começamos a bater papo, falamos sobre o Brasil, sobre o clima, sobre a recessão americana e depois nos apresentamos. Foi leve, natural, normal.

Sem querer generalizar, mas muitos americanos não sabem bater um papo descontraído sem enquadrá-lo: precisam de dados, precisam traçar o plano de ação, da conversa. Tem também a falta de tato, falta de assunto e falta de educação mesmo. Nem adianta tentar explicar o quão indelicado é este interrogatório, pois para muitos isso é normal e até, em muitos casos, serve para poder se gabar sem parecer um babaca. Afinal, como vão falar da casa de 2.6 milhões que acabaram de comprar (mas que não podem pagar) ou do Jaguar que “omg, esta me custando uma fortuna em seguro!“. 🙄

Haja paciência…

One thought on “Pequenas Diferenças…

  1. Putz, que chato…
    Por que vc não começou a responder pra ela em português mesmo, meio assim…vai se F*.
    Tem momentos que devemos chutar o balde com esses malas.
    Passa nervoso não com quem não é seu amigo e nunca vai ser.

    Bjs.

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