Manda Bala, 2007

Sempre que eu vejo um filme ruim, um dilema se instala: escrevo sobre o filme e aviso as pessoas que é uma &^%$! ou simplesmente deixo quieto e nem perco meu tempo? Falar sobre coisas que a gente não gosta pode deixar a gente maus, mas tem coisas que se não falarmos, ficamos maus, com aquilo entalado na garganta. Este filme esta na segunda categoria. Lembro-me quando o documentário “Manda Bala” estreiou aqui em LA num cinema no Bevely Center Mall, um local totalmente insólido, já que é um dos, se não “O”, shopping mais “chic” da cidade. Na época não fui ver porque não curto o local e o filme não me chamou tanto a atenção.

Tempo passou e eis que vejo o filme no Netflix. Beleza, decidi assistir. Primeiro vou dizer que o filme ganhou prêmios, inclusive em Sundance. O motivo eu não compreendi, já que tecnicamente o filme não se destacou em nada e chega mesmo a ser ruim, lento e usou a mesma fórmula que outras centenas de documentários: contar histórias paralelamente, cruzando-as aqui e ali. Nada de especial, nada de inovador e digo mesmo, cansativo. A idéia de usar pessoas para fazer a tradução ao invés do filme ser inteiramente em português com legendas, apesar de ter gerado UM momento engraçado, foi totalmente péla-saco. O diretor disse que não queria que os expectadores perdessem tempo em ler as legendas, por isso os tradutores, foi o que li em uma entrevista. Esse comentário por si só já trae que tipo de público o diretor quer atingir: os preguiçosos que não curtem filme estrangeiro porque precisam ler a legenda.

O tópico escolhido, violência no Brasil, englobando sequestros e corrupção, é sempre uma garantia de prêmio: os problemas que os países menos desenvolvidos enfrentam é uma prova aos superpoderosos de que eles vivem sim num paraíso e nós somos os screwed ups, com nossos problemas e meio de vida selvagens. Enquanto temos que concordar que o Brasil tem mesmo problemas gravíssimos que vão desde a violência cotidiana que atinge todos nós até a corrupção que quebra as pernas de muitos projetos que poderiam ajudar a população, simplificar e generalizar tópicos nunca foi, na minha opinião, uma maneiar de se fazer uma documentário sério.

A parte mais intrigante e que me deixou com a pulga atrás da orelha é que no início do filme uma lengenda diz que o filme não pode ser passado no Brasil? Oh meu deus, por que? Uma pessoa menos informada logo imagina que o diretor mostrou coisas tão medonhas que a censura o proibiu de mostrar os filme nas terras tupiniquins, mas como eu não sou gringa e sei que passa mais violência, corrupção e denúncia no Jornal Nacional do que nos 90 minutos deste filme, fui procurar o motivo. Li em uma entrevista com o diretor disse que estar com medo de ser processado por um dos entrevistados. Como assim, todo mundo que concorda em ter sua imagem veiculada num filme assina um release autorizando o mesmo. Não? Mensagem desnecessária, para gerar um frisson nas salas de cinema.

Enfim, o filme “Manda Bala” é ruim e me lembrou aquele outro filmeco infame, Turistas: algo feito para gringo ver. Preciso dizer mais? 😉