Acordei com o celular, minha mãe preocupada com a possibilidade de um tsunami na costa do Pacífico por causa do terremoto no Chile. Depois de checar na internet que LA não estava na lista e acalmar minha mãe, mandei um email para um ex que vive no Chile. Espero que ele e sua família estejam bem.

Que coisa horrível este terremoto. E tão recente, mal tivemos tempo de nos recuperar do que houve no Haiti. Essa notícias me deixam prá baixo. Vivo em cima da falha de San Andreas e vez ou outra na conversa com amigos alguém fala sobre quando o “big one” vai acontecer aqui na Califórnia e quando recebemos notícias de Haiti, depois Chile, fica pairando no ar aquela sensação de “poderia ter sido aqui“.

Em 2008 eu experimentei meu primeiro terremoto aqui em LA, magnitude 5.5. Naquela época eu estava morando perto de Downtown, no oitavo andar de um prédio. Em casa, eram 11h40 da manhã, estava na minha mesa trabalhando. A primera coisa que senti foi uma sensação de instabilidade, depois o som dos vidros estalando nas antigas molduras da janela. Achei que era uma ilusão, um caminhão passando na avenida lá embaixo talvez, mas levantei da cadeira e de pé senti o prédio iiiiindo e viiiindo, como uma gelatina. Abri a porta do apartamento e pensei em descer as escadas de incêndio, mas o balanço me deixou sem saber bem o que fazer. A pior parte é que parecia que não ia terminar nunca. Mas parou, claro e imeditamente eu tentei falar com meu namorado. Não consegui, todos os circuitos estavam busy. Apanhei a bolsa, desci pela escada, entrei no carro e fui até a casa dele. No trajeto todo eu estava olhando para as pessoas na rua que pareciam não estar se preocupando com nada, e eu, trêmula, preocupada, com medo, já que a casa dele fica pendurada num morro. Um tremor que tinha feito meu prédio sacudir como uma gelatina Royal poderia facilmente fazer um morro descer abaixo. Quando cheguei vi a casa ainda pregada no morro e ele trabalhando como se nada tivesse acontecido, perguntei se não tinha sentido o terremoto, “ouvi o barulhos dos copos batendo lá me cima, só” foi a resposta. Me achou meio bobinha de estar tão preocupada, mas na verdade foi porque ele estava numa casa, não no 8º andar de um prédio que, mesmo depois do tremor passar, ainda tinha levado alguns segundos para cessar o movimento. Simples física.

Tive pesadelos com o terremoto muitas noites, imaginando que poderia ter sido muito pior, mas foi vendo a maneira desencanada das pessoas face a um acontecimento tão sério que decidi estar preparada para “o grande”: imagino rotas alternativas caso seja pega longe de casa, sempre tenho água, uma lanterna e um apito comigo, dentro de casa já decidi os locais “seguros”, longe dos vidros e janelas, nenhum espelho pendurado nas paredes, uma boa mesa onde eu possa me esconder embaixo e, mais importante, mudei do prédio. Confesso que a idéia de um terremoto esta sempre passando pela minha cabeça, afinal eles acontecem aqui diariamente, mas me sentir alerta de certa forma traz algum conforto, embora eu saiba que é pura ilusão.

Minhas preces vão para as pessoas no Chile.